A rapamicina prolonga a vida de camundongos em 10–25%, enquanto mutações na via do fator de crescimento semelhante à insulina duplicam a longevidade do nematoide C. elegans. Essa diferença não é aleatória: quanto mais complexo o organismo, menor o efeito que uma intervenção numa única via molecular produz.
Este paradoxo é conhecido há muito tempo. As mesmas vias evolutivamente conservadas — mTOR, IIS, FOXO — atuam em vermes, moscas e mamíferos. Contudo, em modelos simples, a alteração de um único ponto reorganiza quase toda a fisiologia; já em camundongos e, principalmente, em humanos, o mesmo sinal encontra resistência de múltiplas interconexões paralelas e de feedback.
Os autores de um novo modelo teórico, provenientes da Romênia e da Alemanha, explicam este fenômeno pelo aumento da complexidade da rede biológica. Com o crescente número de tecidos e órgãos, aumenta também a redundância, os mecanismos de feedback e as interações cruzadas. A parcela do "envelhecimento" controlada por um único alvo diminui drasticamente. O sistema passa, então, a resistir ativamente a mudanças para preservar a homeostase.
A especialização dos tecidos também se torna um fator. A supressão do mTOR pode ser benéfica em certos órgãos e prejudicial em outros: embora possa retardar a proliferação celular, é capaz de comprometer a cicatrização de feridas ou a resposta imunológica. A melhoria de um único tecido, portanto, não assegura o rejuvenescimento do organismo como um todo.
Outro mecanismo relevante é o efeito do "próximo elo mais fraco". Mesmo que se elimine uma causa principal de morte, outra surge para tomar o seu lugar. Cálculos indicam que a erradicação completa da mortalidade por câncer adicionaria, em média, apenas cerca de três anos à vida humana.
A pleiotropia agrava ainda mais o problema. As vias que estimulam o crescimento e a reprodução, ao mesmo tempo que apoiam a regeneração, também aumentam o risco de oncologia. Ao suprimi-las, obtêm-se benefícios, mas também novos riscos. Organismos simples são capazes de redistribuir radicalmente os recursos entre crescimento, reprodução e manutenção dos tecidos; já os mamíferos, com seus órgãos especializados e de alto custo energético, não possuem mais essa liberdade.
O modelo se resume a uma fórmula simples: o prolongamento máximo da vida é proporcional à "alavancagem" de uma via individual, dividida pela "bufferização" de todo o sistema. Com o aumento da complexidade, a alavancagem enfraquece e a capacidade de bufferização se intensifica. Por essa razão, uma única substância ou mutação já não consegue produzir o mesmo efeito que antes.
A conclusão dos autores é previsível, mas crucial: para um impacto significativo no envelhecimento humano, serão provavelmente necessárias intervenções multicomponentes, que atuem simultaneamente em múltiplos tecidos e vias. A busca por um único "interruptor principal" em organismos complexos parece ter esgotado as suas possibilidades.
