Suprema Corte dos EUA apoia preliminarmente decreto de Trump sobre restrição ao voto por correio

Editado por: Alex Khohlov

Na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, a Suprema Corte dos EUA emitiu uma decisão preliminar a favor da administração de Donald Trump, anulando a liminar sobre disposições-chave de seu decreto que restringe o voto por correio antes das eleições de meio de mandato em novembro. A decisão, tomada por 6 a 3 ao longo de linhas ideológicas, pela maioria conservadora, expôs uma profunda divisão no órgão judiciário sobre a autoridade dos estados para controlar suas próprias eleições.

A disputa diz respeito às disposições do decreto, assinado por Trump em 31 de março de 2026, que exigem a criação de uma lista federal de cidadãos dos EUA elegíveis para votar e determinam que o Serviço Postal dos EUA envie cédulas apenas para aqueles incluídos nela. A administração apresenta a medida como uma forma de combater a votação não autorizada; críticos a chamam de tentativa de controle federal centralizado sobre eleições historicamente administradas pelos estados.

O tribunal anulou a liminar imposta em junho pela juíza federal Indira Talwani com base em um tribunal de Massachusetts. Essa liminar impedia a implementação do decreto na Califórnia e em 22 outros estados, bem como no Distrito de Columbia, porque essas jurisdições contestaram a constitucionalidade das ações da administração.

No entanto, a decisão da Suprema Corte é puramente processual. Os juízes não se manifestaram sobre a legalidade do decreto em si. Pelo contrário, a juíza Sonia Sotomayor, juntando-se à posição da juíza Elena Kagan, enfatizou em sua discordância: "A decisão de hoje não examina se as tentativas do presidente de interferir na administração das eleições pelos estados em novembro de 2026 são legais". A maioria apenas adiou a consideração do mérito, considerando prematura a ação da juíza Talwani antes que as agências federais concluíssem a preparação do plano de implementação.

A Casa Branca imediatamente declarou vitória, chamando as disposições do decreto de "medidas sensatas". Caroline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, apontou para a legalidade das ações da administração. Logo após a decisão, o Serviço Postal emitiu regras finais para a implementação da medida.

No entanto, a batalha judicial está longe de terminar. Em um segundo caso, movido por uma coalizão de organizações de direitos de voto, a liminar permanece em vigor. Partes do decreto permanecem bloqueadas, e os democratas prometem novas ações judiciais visando a anulação total da iniciativa.

A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, que liderou a coalizão de estados contestando o decreto, chamou a decisão do tribunal de "um golpe doloroso, mas não a palavra final" e prometeu continuar a luta. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, cujo estado foi o principal autor, anunciou a preparação de uma nova ação judicial, enfatizando o compromisso do estado com o princípio: "Cada eleitor elegível recebe uma cédula pelo correio aqui — e vamos lutar por isso".

Donald Trump, ao longo de seu segundo mandato, criticou repetidamente o voto em massa pelo correio, alegando sem evidências fraudes generalizadas. Sua administração também promove o projeto de lei SAVE America Act, que introduz restrições ainda mais rígidas: exigência de comprovante documental de cidadania no registro e identificação com foto na votação. O projeto passou pela Câmara dos Representantes em fevereiro de 2026, mas no Senado enfrentou o filibuster dos republicanos, que não têm maioria suficiente para superar a resistência dos democratas.

Desafios práticos somam-se aos jurídicos. Especialistas apontam que os prazos são catastróficos: as eleições de novembro ocorrerão em pouco mais de três meses, e muitos estados já começaram a enviar cédulas. Até mesmo apoiadores da administração reconhecem que a implementação completa do decreto neste ciclo eleitoral é improvável. Isso imporia caos ao sistema, privando potencialmente milhões de americanos do direito de voto, que enviaram solicitações na esperança de receber cédulas pelo correio de acordo com a legislação atual.

A juíza Ketanji Brown Jackson, a segunda liberal a votar contra a maioria, em uma formulação mais contundente, acusou a maioria conservadora de criar deliberadamente caos antes das eleições ao adiar o julgamento. Sua objeção reflete o temor de que a manobra processual esconda um cálculo político mais profundo.

A batalha nos tribunais continua, e seu desfecho determinará não apenas o futuro do voto por correio, mas também o equilíbrio de poderes entre o governo federal e os estados na administração das eleições — uma questão que a Constituição americana deixa principalmente nas mãos dos estados. A palavra final ainda não foi dita, mas a janela de oportunidade para mudanças antes das eleições de novembro está se fechando rapidamente.

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Fontes

  • Supreme Court hands preliminary win to Trump on mail-in ballots executive order

  • Abigail Jackson will leave White House deputy press secretary post

  • White House Press Secretary - Ballotpedia

  • Supreme Court lifts 1 of 2 injunctions on Trump's mail-voting executive order for 2026 elections

  • Six Things to Know About the SAVE America Act

  • What Is the SAVE Act and Could It Change How You Vote in 2026?

  • Executive Order 14399

  • Supreme Court eases path for Trump's sweeping limits on mail-in balloting

  • Supreme Court allows Trump administration to move forward with order imposing restrictions on mail-in voting

  • Supreme Court gives Trump an interim win on his mail voting order, but hurdles loom

  • SAVE America Act unlikely to impact 2026 even if passed by Senate

  • Meet Letitia James

  • Judge blocks key pillars of Trump executive order restricting mail voting in 2026 election

  • Home | New York Attorney General

  • What every American Voter Needs to Know - Vote.org

  • Supreme Court considers late-arriving mail ballot laws in case that may affect midterms

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