13 queixadas cruzaram a baía para devolver à floresta o seu principal engenheiro

Editado por: Svitlana Velhush

Our Executive Director @AndyRainforest was featured on the podcast #RewildingTheWorld w/ Ben Goldsmith. Listen to learn more about how rewilding #CostaRica is a clear next step to build #resilience & bring back keystone wildlife species, starting w/ the white-lipped peccary.

Ben Goldsmith
Ben Goldsmith
@BenGoldsmith

In this episode I’m joined by Andy Whitworth of @osaconservation, an organisation which is busy rewilding Costa Rica’s ever wilder Osa Peninsula. Liberated from low productivity, highly damaging cattle ranching, much of western Costa Rica is returning to forest. On the Osa

Image
Image
Image
Image
Reply

Em plena noite, um barco com treze queixadas (Tayassu pecari) atravessava a baía Golfo Dulce, na Costa Rica. Ao redor, ondas bioluminescentes e estrelas cadentes brilhavam, enquanto os animais conversavam baixinho nas caixas. A veterinária Denis Ortiz Angulo comparou mais tarde esse momento a cenas de "As Aventuras de Pi" — só que, em vez de um tigre, a bordo estavam os principais "construtores" da floresta tropical.

As queixadas desapareceram do Parque Nacional Piedras Blancas há cerca de dezoito anos devido à caça. Elas não são apenas habitantes da floresta: esses animais reviram o solo, espalham sementes nas fezes e criam pequenas poças d'água onde se instalam sapos, insetos e outras espécies. Sem elas, o ecossistema perde um elo importante, e as onças-pintadas ficam sem a principal presa e se aproximam mais dos humanos. Segundo o monitoramento, após a translocação, o bando permanece unido e parece saudável.

A preparação levou mais de dez anos: estudaram populações, trabalharam com moradores locais e acostumaram os animais à isca no curral. No dia da operação, treze indivíduos — três machos e dez fêmeas — caíram na armadilha antes do esperado. Em seguida, começou uma maratona de dezesseis horas: pesagem, resfriamento com água, transporte em caminhões e travessia noturna de barco. No parque, as queixadas foram mantidas primeiro em um curral de aclimatação e depois soltas. Dois animais receberam colares de rastreamento por satélite.

O projeto Osa Conservation mostra como é possível acelerar a recuperação natural. A floresta não traria as queixadas de volta em tempo razoável — estima-se que poderia levar até cem anos. A translocação tornou-se uma espécie de "remédio" para o ecossistema, como disse o diretor da organização, Carlos Manuel Rodríguez. No entanto, o sucesso depende não apenas da ciência, mas também do apoio das comunidades vizinhas: uma pesquisa mostrou que 72 por cento dos moradores aprovam o retorno da espécie.

A próxima etapa é outro lote de queixadas neste ano, com o objetivo de 25–30 indivíduos. A organização planeja projetos semelhantes com outras espécies desaparecidas, como harpias e tamanduás-bandeira. Essas ações lembram: às vezes, para a floresta voltar a ser viva, é preciso devolver manualmente aqueles que a moldam.

1 Visualizações

Fontes

  • How 13 Peccaries Crossed a Gulf to Restore a Costa Rican Forest

Leia mais artigos sobre este tema:

Encontrou um erro ou imprecisão?Vamos considerar seus comentários assim que possível.