Em 2025, a Europa registrou um recorde no desmantelamento de barreiras fluviais: de acordo com o relatório da organização ecológica Dam Removal Europe, 603 barragens e outros obstáculos ao fluxo de água foram eliminados no continente, superando a marca de 2024 (542 barreiras removidas). Esta iniciativa integrou uma ampla campanha para restaurar a conectividade fluvial e as funções ecológicas dos sistemas hídricos; até o final do ano, especialistas recuperaram cerca de 2.300 milhas (aproximadamente 3.700 km) de cursos d'água.
A Suécia liderou o processo com a remoção de 173 barreiras, seguida pela Finlândia (143) e pela Espanha (109). Pela primeira vez, a Islândia e a Macedônia do Norte integraram a lista de países que realizaram demolições, evidenciando a expansão geográfica dos programas de eliminação de barreiras obsoletas.
Por que isso é importante
Barragens e outros obstáculos fragmentam os rios, prejudicam a migração natural de peixes e outros organismos aquáticos, alteram a hidrologia e causam danos aos ecossistemas. A remoção dessas barreiras restabelece a ligação entre os trechos superiores e inferiores dos rios, melhora o fluxo e a qualidade da água, e favorece o retorno de espécies migratórias e a resiliência geral dos sistemas fluviais.
Resultados práticos em campo
Diversas localidades já apresentam melhorias visíveis na biodiversidade. Uma dessas observações ocorreu no norte de Gales, ao longo do rio Dee: após o desmantelamento da barragem de Erbistock, houve um aumento repentino no avistamento de ninhos de lampreia-marinha. Joel Rees-Jones, gerente do projeto, destaca: "É realmente emocionante ver estes [ninhos]. Ao restaurar a conexão entre os habitats e eliminar barreiras como a barragem de Erbistock, estamos dando a espécies icônicas, como a lampreia e o salmão do Atlântico, uma chance de sobrevivência."
Escala e desafios
Apesar do sucesso, o problema continua sendo vasto: a Dam Removal Europe estima que mais de 150.000 barreiras obsoletas ainda fragmentem os rios europeus. Isso significa que o ritmo das demolições precisará ser significativamente acelerado para que as funções ecossistêmicas dos rios sejam totalmente restauradas. O relatório ressalta que, embora a velocidade dos trabalhos esteja aumentando, ainda restam muitos obstáculos administrativos, técnicos e financeiros: a necessidade de aprovações, avaliações de risco (erosão, mudanças na sedimentação e gestão de fluxo) e a consideração dos interesses da energia hidrelétrica e das comunidades locais.
Financiamento e participantes
Um papel fundamental na implementação dos programas de remoção é desempenhado pela combinação de verbas públicas, subsídios europeus, investimentos de fundos de conservação da natureza e a participação de organizações não governamentais. A perícia técnica é fornecida tanto por agências governamentais quanto por empresas privadas especializadas na restauração ecológica de rios.
Perspectivas
O aumento no número de remoções e na extensão das vias fluviais recuperadas é um sinal positivo para o ecossistema e a biodiversidade da Europa. Contudo, a transição de projetos isolados para um programa sistêmico exigirá decisões políticas coordenadas, financiamento sustentável e a análise das consequências sociais para as comunidades ribeirinhas. O sucesso de exemplos como Erbistock demonstra que ganhos ecológicos tangíveis são possíveis nos próximos anos, se houver a união entre conhecimento científico, apoio público e recursos financeiros.
Fonte
A principal fonte de dados é o relatório da Dam Removal Europe: DRE Progress Report 2025 (maio de 2026).




