Cientistas de Stanford criaram uma empresa de biotecnologia virtual na qual trabalham 37 mil agentes de IA. Eles analisam dados de forma autônoma, formulam hipóteses e projetam medicamentos sob supervisão humana. Os resultados foram publicados em 17 de setembro de 2026 na revista Science.
O líder do projeto, James Tsou, e o doutorando Harrison Zhang construíram uma estrutura que replica uma empresa de biotecnologia real. Há um «diretor científico» e departamentos especializados que trabalham em paralelo. Os agentes cuidam de tudo — da busca de alvos ao desenho de ensaios clínicos.
Em um dos experimentos, os agentes analisaram cerca de 50 mil ensaios clínicos em uma semana. Eles identificaram um importante sinal biológico: medicamentos que têm como alvo exato um tipo específico de célula e atuam sobre os genes segundo o princípio de «interruptor» avançam da primeira para a segunda fase com 40 % mais frequência, chegam ao mercado com 48 % mais frequência e causam 32 % menos efeitos colaterais.
Outro exemplo é o trabalho com a proteína B7-H3 no câncer de pulmão. Os agentes estudaram os dados e propuseram um conjugado de anticorpo que entrega a quimioterapia diretamente aos fibroblastos que suprimem a imunidade. Alguns meses depois, uma grande farmacêutica chegou de forma independente à mesma estratégia, e o medicamento recebeu o status de breakthrough therapy da FDA.
Tsou ressalta: os agentes de IA aceleram o processo em várias vezes, mas a verificação final e os experimentos em laboratórios reais continuam a cargo dos humanos. Até onde se pode chegar se confiarmos às máquinas não apenas os cálculos, mas etapas inteiras da descoberta de medicamentos?
O trabalho se baseia no projeto anterior de laboratório virtual de 2025. Agora os cientistas planejam transferir as novas descobertas para laboratórios reais para verificação.



