Desfile Métiers d’Art da Chanel em Seul: a coleção "mais francesa" da marca desembarca na Ásia

Editado por: Katerina S.

A primeira coleção Métiers d’Art sob a direção de Matthieu Blazy não foi apresentada em Paris, mas em Seul. Esta escolha, por si só, oferece uma pista fundamental para compreender a estratégia da maison.

A Chanel pertence à família Wertheimer, cujas prioridades são o crescimento constante da receita e o fortalecimento de sua posição na Ásia. A Coreia do Sul apresenta uma das maiores taxas de consumo de bens de luxo per capita do mundo, e o desfile em Seul permite que a marca reafirme a continuidade de sua linha criativa enquanto se consolida em um mercado estratégico.

A primeira coleção Métiers d’Art de Blazy deveria confirmar que as tradições artesanais e estéticas da casa permanecem no centro das atenções, mas a escolha do local indica que a lógica comercial acabou prevalecendo sobre o vínculo histórico com Paris.

De acordo com relatórios do setor, as vendas da Chanel na região Ásia-Pacífico já superam as da Europa. O desfile em Seul reduz a distância entre a passarela e o comprador, permitindo testar a reação de um público que representa uma fatia significativa do faturamento. Ao mesmo tempo, o fornecimento das peças Métiers d’Art continua sendo realizado pelos ateliês em Paris e arredores.

O consumidor em Seul não adquire apenas roupas, mas um símbolo de pertencimento a uma elite global que valoriza o legado francês e demonstra conhecimento sobre novos talentos criativos. A coleção de Blazy oferece exatamente essa combinação: silhuetas icônicas da Chanel aliadas a uma estética mais contida e quase arquitetônica, atendendo à demanda do público coreano por status sem excessos teatrais.

Uma situação semelhante já foi observada quando a Louis Vuitton transferiu seus desfiles para Seul e Xangai: por trás da visível abertura cultural, estava o desejo de encurtar a distância entre o desfile e as vendas. A Chanel repete esse movimento, utilizando justamente a Métiers d’Art — linha tradicionalmente considerada a mais "francesa" da marca.

Dessa forma, o desfile em Seul estabelece um novo equilíbrio de forças: a liberdade criativa do designer é mantida, mas a decisão final sobre o local da apresentação é tomada pelo resultado financeiro, e não pela tradição geográfica.

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Fontes

  • Chanel Brings Matthieu Blazy’s First Métiers d’Art Collection to Seoul in Asia Debut

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