No final de julho de 2026, a Comissão de Serviços Financeiros da Coreia do Sul (FSC) anunciou a preparação de um projeto de lei unificado, o Digital Asset Basic Act, que integrará cerca de dez iniciativas dispersas sobre criptomoedas e stablecoins. O regulador pretende primeiro estabelecer requisitos claros para a emissão e as reservas de moedas estáveis e, só depois, aprovar uma lei cripto geral. Essa ordem parece lógica após o colapso da Terra-Luna em 2022, quando bilhões de dólares de investidores de varejo simplesmente evaporaram.
De acordo com o projeto, os emissores de stablecoins devem obter uma licença da FSC, manter reservas de pelo menos 100% dos tokens emitidos e armazená-las separadamente de seus próprios fundos — com proteção em caso de falência. O capital mínimo do emissor foi reduzido para 500 milhões de won (cerca de 368 mil dólares), e o pagamento de juros aos detentores de moedas é proibido. Essas medidas visam transformar as stablecoins em um instrumento de pagamento confiável, e não em um ativo especulativo.
Por trás da aparente preocupação com os consumidores, há outro cálculo: a Coreia do Sul é um dos maiores mercados de câmbio de fiat para cripto do mundo. O Estado quer que as moedas estáveis operem dentro do sistema financeiro nacional, em vez de desviar capital para o exterior ou para esquemas cinzentos. Bancos e instituições tradicionais têm a chance de integrar novas ferramentas sob seu controle, enquanto as empresas de cripto são forçadas a jogar pelas regras bancárias.
Curiosamente, a proibição de juros retira das stablecoins uma de suas principais vantagens competitivas em relação aos depósitos bancários. Na vida comum, isso é semelhante a guardar dinheiro em um cofre, mas não receber nada por isso — apenas a garantia de que ele não desaparecerá. Essa estrutura reduz o risco de fuga de depositantes dos bancos, mas ao mesmo tempo limita o apelo das stablecoins para aqueles que buscam alguma rentabilidade.
Para o cidadão comum, isso significa que nos próximos meses haverá uma forma mais compreensível e protegida de manter dólares ou wons digitais. No entanto, por trás dessa proteção, também há uma limitação da liberdade: os emissores estarão sob forte supervisão, e o mercado será menos flexível. A longo prazo, a Coreia do Sul parece estar tentando não apenas regular as criptomoedas, mas integrá-las ao sistema monetário existente de forma que sirva aos interesses do Estado e dos bancos, e não apenas dos entusiastas.
A principal lição para quem detém ou planeja deter stablecoins: a confiabilidade custa dinheiro, e às vezes esse preço é a renúncia a rentabilidade adicional e ao anonimato total.

