No final de agosto de 2026, Washington e Caracas alcançaram um acordo sem precedentes sobre o desenvolvimento dos recursos energéticos venezuelanos. De acordo com os entendimentos, empresas privadas americanas obterão controle sobre o desenvolvimento de 17 campos estratégicos da Venezuela com reservas comprovadas de mais de 65 bilhões de barris de petróleo. O evento já foi apelidado de "o maior acordo petrolífero da história mundial".
Detalhes e condições do acordo
O acordo não prevê a transferência direta dos campos para a propriedade estatal dos EUA. Em vez disso, planeja-se a criação de uma empresa conjunta com a participação de um operador privado, à qual as autoridades venezuelanas concederão direitos de exploração dos recursos por 100 anos. O lado americano receberá 55% de controle nessa empresa, o que inclui o direito de comprar o petróleo extraído ao custo de produção.
O volume de reservas cobertas pelo acordo é de aproximadamente um quinto de todas as reservas comprovadas de petróleo da Venezuela, que são estimadas em 303 bilhões de barris e são as maiores do mundo. Para comparação, as reservas comprovadas dos próprios Estados Unidos no final de 2024 eram de cerca de 46 bilhões de barris.
Posições das partes
O presidente dos EUA, Donald Trump, ao anunciar o acordo, afirmou que ele mais que dobrará as reservas de petróleo americanas, expandirá significativamente o fornecimento e reduzirá substancialmente os preços da gasolina para todos os americanos por muitos anos. Ele também enfatizou que a parceria com empresas privadas permitirá alcançar esses objetivos sem nenhum custo para os contribuintes americanos.
O lado venezuelano também expressou satisfação com os entendimentos alcançados. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou a conclusão do acordo, observando que o desenvolvimento de 17 campos permitirá atrair mais de 100 bilhões de dólares em investimentos privados. Segundo estimativas das autoridades de Caracas, o projeto garantirá mais de 209 bilhões de dólares em receitas fiscais para o orçamento do Estado e criará milhares de empregos bem remunerados.
Contexto histórico
A implementação de um acordo tão amplo tornou-se possível em meio a mudanças políticas radicais na Venezuela. Em janeiro de 2026, militares americanos realizaram uma operação para deter o ex-líder do país, Nicolás Maduro. Depois disso, Delcy Rodríguez chegou ao poder, que já no final de janeiro iniciou uma reforma da legislação petrolífera. Essa reforma enfraqueceu o monopólio estatal de longa data no setor, que existia sob Hugo Chávez e Nicolás Maduro, e abriu o setor para investimentos privados estrangeiros.
Realidades econômicas e desafios
Apesar das declarações otimistas, especialistas apontam obstáculos sérios para a rápida implementação do acordo. A Venezuela possui as maiores reservas do mundo, mas uma parte significativa delas é de petróleo extrapesado da Faixa do Orinoco, cuja extração e processamento exigem infraestrutura cara e complexa.
Devido à falta crônica de investimentos, à degradação dos equipamentos e às sanções internacionais, o país no início de 2026 produzia apenas cerca de 1,1–1,25 milhão de barris por dia, o que representa aproximadamente 1% da produção mundial. Para comparação, nos anos 1970, esse indicador chegava a 3,5 milhão de barris por dia.
Analistas observam que a prometida redução nos preços da gasolina dificilmente ocorrerá rapidamente. Para aumentar a produção em muitos dos 17 campos, serão necessários anos e investimentos de bilhões na recuperação de poços, dutos, redes elétricas e cadeias logísticas. No entanto, este acordo marca um potencial ponto de virada tanto para a segurança energética dos EUA quanto para as tentativas de recuperação da economia venezuelana.

