A mais de cinco quilômetros e meio de profundidade, a luz solar deixa de existir. Sobre o fundo do mar repousa uma espessa camada de água, e ao redor se estende uma fria planície abissal que nunca antes foi vista por olhos humanos.
E de repente, na luz do submersível, aparece uma pequena figura. Duas nadadeiras semelhantes a orelhas sobem e descem lentamente, carregando um corpo arredondado e translúcido sobre o sedimento. Após algum tempo, surge um segundo polvo. Depois, um terceiro.
Em uma única imersão, que durou oito horas, o oceano mostra aos pesquisadores três polvos Dumbo de águas profundas — representantes de diferentes tonalidades: do rosa ao roxo e ao laranja. Um flutua livremente sobre o fundo, outro abre as membranas entre os tentáculos, e o terceiro, como se esquecesse da leveza do abismo, decide caminhar um pouco pelo solo.
O primeiro encontro com o fundo desconhecido
No final de agosto de 2026, a organização Ocean Exploration Trust publicou um vídeo gravado durante a expedição NA181 — Exploration of Wake Island's Deep Sea. Não são apenas imagens de câmera: são as primeiras imagens de uma área onde nenhum veículo científico conhecido jamais desceu.
A expedição ocorre de 20 de agosto a 18 de setembro de 2026 — no total, 31 dias de pesquisa — no navio de pesquisa E/V Nautilus com o apoio da NOAA Ocean Exploration. Seu objetivo é estudar algumas das áreas mais desconhecidas do fundo do mar do Pacífico ao redor do Atol de Wake, uma das porções de terra mais isoladas da Terra.
Durante uma das imersões, os veículos operados remotamente Little Hercules e Atalanta exploraram a planície abissal em águas internacionais — em um território fora da jurisdição até mesmo dos EUA, entre as Ilhas Marshall e a zona econômica exclusiva do Atol de Wake.
Os veículos desceram a uma profundidade de mais de 5800 metros — mais de cinco quilômetros e meio abaixo. Segundo a Ocean Exploration Trust, nenhum mergulho em águas profundas conhecido havia sido realizado aqui antes. As câmeras dos pesquisadores se tornaram os primeiros olhos da humanidade nesta parte do oceano, e o que viram foi surpreendente.
Por que são chamados de Dumbo
Os polvos Dumbo receberam seu nome popular graças a duas nadadeiras visíveis nas laterais do corpo. Durante o movimento, elas lembram as orelhas do elefantinho voador do filme da Disney.
Esses animais pertencem à família Grimpoteuthidae — parte da subordem mais ampla dos polvos com nadadeiras, chamada Cirrata. Ao longo de seus braços, há não apenas ventosas, mas também finas estruturas sensoriais chamadas círios — apêndices semelhantes a fios que ajudam os polvos a explorar o espaço ao redor na escuridão total.
Eles se movem de várias maneiras: batem as nadadeiras no ritmo dos batimentos cardíacos, criam ondas suaves com o corpo e as membranas ou expulsam água da cavidade do manto. Esse movimento lento e econômico não é um capricho da natureza, mas uma necessidade. Nas profundezas, onde a comida é rara, cada contração muscular tem um custo energético. Os polvos comuns dependem da propulsão a jato, mas os Dumbo escolheram outro caminho — eles voam pelo abismo como paraquedistas em câmera lenta.
Ao contrário de seus parentes de águas rasas, esses polvos passam a vida inteira em um mundo sem luz solar, adaptando-se ao que veem com olhos não adaptados para distinguir cores.
Três encontros em oito horas
Encontrar até mesmo um polvo Dumbo diante da câmera já é uma sorte rara. Esses animais vivem em profundidades tão grandes e em um território tão vasto que são encontrados pelos pesquisadores com menos frequência do que estrelas no céu. Mas durante uma única imersão de oito horas, a expedição NA181 encontrou três de uma vez.
Nas imagens, os animais se distinguem pela cor: entre eles, veem-se tons rosa, roxo e laranja. No entanto, isso não significa que os cientistas descobriram três novas espécies. A cor dos animais de águas profundas é algo caprichoso. Ela depende das características fisiológicas do animal, do estado de seus tecidos, da intensidade e do espectro da luz do veículo submersível, bem como das configurações e da sensibilidade da câmera.
A Ocean Exploration Trust descreve o grupo visto como multiespécie — ou seja, possivelmente pertencente a diferentes espécies dentro do gênero Grimpoteuthis. No entanto, a identificação precisa de cada animal ao nível de espécie não é fornecida no material publicado. Na ciência, isso significa uma coisa: por enquanto, é mais correto falar de três representantes da família Grimpoteuthidae do que anunciar a descoberta de novas espécies.
Particularmente curioso é o comportamento de um dos polvos. Ele desce lentamente até o fundo e, apoiando-se nos braços, parece começar a andar pelo leito marinho — caminhar como se anda em terra firme, mas sob seis quilômetros de água. Este não é o primeiro caso conhecido desse tipo de locomoção em polvos com nadadeiras, mas vê-lo em uma área completamente inexplorada é um testemunho raro de como os animais usam o espaço extremo da planície abissal, adaptando-se às suas condições de maneiras próprias.
Um deserto que se revelou habitável
De longe, o fundo abissal pode parecer um deserto sem vida. Aqui não há florestas de algas, recifes de coral banhados pelo sol, enormes cardumes de peixes ou luz brilhante.
A principal fonte de alimento vem de cima na forma de neve marinha — partículas de matéria orgânica que descem lentamente: organismos planctônicos mortos, fezes, pedaços de corpos de animais e muco. Às vezes, quando ocorrem florações de algas ou migrações em massa de animais nas águas superficiais, restos maiores caem no fundo, criando por um curto período um verdadeiro banquete para o faminto ecossistema de águas profundas — um evento que pode fornecer alimento para comunidades inteiras por meses ou anos.
A vida aqui é distribuída de forma esparsa. As distâncias entre os animais podem ser enormes — quilômetros de substrato vazio, onde ocasionalmente se encontram pepinos-do-mar e moluscos gastrópodes que se alimentam lentamente. Portanto, o encontro com três polvos durante uma única imersão é particularmente interessante — como o encontro com um fenômeno raro da natureza.
Mas ainda é cedo para concluir que há uma grande população de Dumbo nesta área. Uma única observação de oito horas não é suficiente para determinar a densidade populacional, sua constância ou os limites de distribuição dos animais. Além disso, a própria casualidade deste encontro mostra quantos segredos as profundezas guardam.
Durante muito tempo, o conhecimento sobre animais de águas profundas baseou-se principalmente em espécimes isolados, trazidos à tona por redes ou encontrados em coleções de museus. Essas criaturas pareciam aos cientistas como amostras imóveis, conservadas em álcool, desprovidas de vida e movimento. Os veículos subaquáticos mudaram tudo. Eles permitem ver um ser vivo em seu próprio ambiente: como ele se move, como se posiciona em relação ao substrato, como reage à luz e ao espaço ao redor, como vive.
O oceano deixa de ser uma coleção de espécimes dissecados. Torna-se um palco vivo, onde se desenrolam histórias ainda não lidas pela ciência.
O que o oceano nos mostrou hoje?
Ele mostrou um lugar onde nenhum veículo de pesquisa conhecido jamais desceu — um território que permanece sob o domínio do desconhecido mesmo no mapa-múndi do século XXI.
Mostrou três criaturas vivendo tranquilamente sob seis quilômetros de água, alheias à existência de mapas humanos, câmeras e nomes.
Elas não fazem descobertas nem buscam encontros com humanos. Simplesmente continuam sua vida nas profundezas — flutuam lentamente na escuridão total, abrem seus tentáculos em busca de comida rara e deixam rastros quase imperceptíveis no fundo, onde até rastros são raridade.
A vida é um milagre. E cada mergulho no oceano é um novo encontro com sua imprevisibilidade, beleza e infinita arte de surpreender.



