Partitura do Oceano: A Canção da Baleia Jubarte Acompanha Seu Mergulho

Autor: Inna Horoshkina One

Марк Хили mergulhou uma GoPro nas águas perto da ilha Оаху e gravou o coral de baleias-jubarte. Os cantores mal são visíveis, mas o oceano está cheio de suas vozes — a canção soa como o próprio espaço da profundidade.

A canção da baleia jubarte é composta por sons distintos, frases, temas recorrentes e uma estrutura complexa própria. Contudo, uma nova pesquisa revelou algo surpreendente: essa música não se desenrola apenas no tempo — ela está inscrita no espaço do Oceano.

Pela primeira vez, os cientistas compararam detalhadamente a estrutura da canção da baleia jubarte com o ciclo completo de seu mergulho. Descobriu-se que temas musicais específicos estão conectados a diferentes seções da trajetória subaquática: a descida, a permanência em profundidade e o retorno à superfície.

É como se a baleia não estivesse apenas executando uma sequência de sons, mas sim uma composição tridimensional, desenhada pelo movimento do seu corpo nas profundezas da água.

Seis Anos de Observações na Costa de Maui

A pesquisa, publicada na revista Current Biology, foi realizada na costa da ilha de Maui, no Havaí, entre 2018 e 2024.

Os cientistas monitoraram 16 machos de baleias jubarte. São os machos que, durante a estação de acasalamento, entoam canções longas e complexas, que podem durar horas e se propagar por vários quilômetros na coluna d'água.

Pequenos sensores não invasivos, equipados com ventosas, foram temporariamente acoplados às costas dos animais. Os dispositivos registravam simultaneamente:

  • os sons emitidos pela baleia;
  • a profundidade do mergulho;
  • a posição e o movimento do corpo;
  • a duração das fases individuais da rota subaquática.

Após um determinado período, os sensores se desprendiam dos animais e subiam à superfície por conta própria. Os pesquisadores os encontravam e recuperavam os dados coletados.

Graças a isso, tornou-se possível não apenas ouvir a canção da baleia, mas também observar o que seu corpo fazia nesse momento: como o animal mergulhava, mudava de posição, permanecia em uma profundidade específica e retornava à superfície.

Pela primeira vez, som e movimento se apresentaram como um processo único e inseparável.

Algumas baleias continuaram a cantar por quase 16 horas sem parar — durante a descida, em profundidade e na subida à superfície.

Temas Musicais Acompanham o Movimento

A canção da baleia jubarte possui uma organização hierárquica complexa.

Sons individuais se unem em frases. As frases formam temas repetitivos. A partir da sequência de temas, uma canção completa é construída. Ao terminar a composição, a baleia a inicia novamente — e pode repetir esse ciclo por muitas horas consecutivas.

O estudo demonstrou que os temas musicais se distribuem pelas diferentes fases do mergulho de forma não aleatória.

Os temas executados durante a descida e a subida mostraram-se os mais estáveis. Sua sequência se repetia em diferentes animais e era mantida ao longo dos anos de observação.

Já na parte inferior do mergulho, quando a baleia estava a uma profundidade relativamente constante, os pesquisadores encontraram mais variedades de temas musicais e uma maior variabilidade de elementos individuais da canção.

Em profundidade, a composição parecia tornar-se mais livre e diversificada.

Os cientistas sugerem que a estabilidade dos temas de descida e subida pode estar ligada a restrições fisiológicas. A baleia precisa regular simultaneamente a flutuabilidade, distribuir o estoque de oxigênio, mover-se e produzir som.

Essas fases exigem um controle especial — e o "cantor" subordina sua música a elas.

Fragmentos mais variados, entoados em profundidade, podem desempenhar um papel especial na seleção sexual, permitindo que o macho demonstre qualidades individuais. No entanto, o significado exato dessas diferenças ainda precisa ser determinado.

A Baleia Entoa a Canção com Todo o Seu Ser

Anteriormente, as canções das baleias jubarte eram estudadas principalmente como sequências acústicas. Os pesquisadores analisavam sua frequência, ritmo, sintaxe, mudanças anuais e a transmissão cultural de um grupo de animais para outro.

No entanto, com essa abordagem, a canção parecia estar separada do próprio "cantor".

A nova pesquisa permitiu vê-la de outra forma — como uma ação holística na qual todo o corpo do animal participa.

A baleia não apenas canta enquanto está submersa. Sua respiração, movimento, profundidade, estado fisiológico e o som produzido tornam-se partes de uma única composição.

Um tema acompanha a descida — é a música do movimento descendente.

Outro soa na parte inferior do mergulho — a música da profundidade e da estabilidade relativa.

O próximo surge durante a ascensão — a música do retorno à superfície e de uma nova inspiração.

Assim, forma-se uma partitura subaquática peculiar, que a baleia cria não apenas com a voz, mas também com a trajetória do próprio corpo. A baleia não está apenas executando uma composição.

Ela a vivencia com todo o seu ser.

O Que Essa Descoberta Adicionou à Sinfonia do Planeta?

Ela revelou que a música do mundo vivo pode existir não apenas no tempo.

Ela pode ter direção. Pode mergulhar e ascender.

Pode estar inscrita na respiração, no movimento do corpo e na geometria do espaço.

A baleia jubarte cria sua canção não apenas com seu aparelho vocal. Em sua execução, participam a reserva de oxigênio, a flutuabilidade, a profundidade e toda a rota subaquática do animal.

Para reconhecer a estrutura completa, os pesquisadores precisaram seguir a baleia sob a água — conectar a canção com a respiração, o movimento e a trajetória.

E então o som deixou de ser plano. Ele ganhou profundidade.

Estamos acostumados a perceber a música como uma sequência de sons, sucedendo-se no tempo. Mas a canção da baleia jubarte demonstra: a música pode ser simultaneamente movimento, profundidade e espaço.

A baleia desce — e, junto com ela, o tema musical muda.

A baleia jubarte não apenas canta no Oceano. Ela traça a canção com o próprio corpo — pela respiração, movimento e mergulho nas profundezas.

É como se o próprio Oceano, por um instante, tornasse visível a sua música.

E quanto mais profundamente aprendemos a escutar, mais claramente ouvimos:

A música não vive apenas no som. Ela se move. Respira. Mergulha.

Ela ressoa com todo o ser.


4 Visualizações

Fontes

  • Humpback whales match song production to dive patterns

  • How a whale's dive shapes its song

  • Humpback whales match song themes to dive phases

  • Study finds whales sing for up to 16 hours non-stop while diving

  • Humpback whale songs are choreographed to match deep dives

  • Горбатые киты меняют куплет песни в зависимости от глубины

  • Горбатый кит

  • Песни горбатых китов точно синхронизированы с процессом погружения

  • Песни горбатых китов связаны с глубиной погружения

Encontrou um erro ou imprecisão?Vamos considerar seus comentários assim que possível.
Partitura do Oceano: A Canção da Baleia Ju... | Gaya One