O Supremo Tribunal do Chile reconheceu por unanimidade, em 3 de novembro de 2026, o gato Perseo como ser senciente e o entregou à guarda exclusiva da ex-companheira do dono. É o primeiro precedente desse tipo no país, onde a lei ainda considera os animais como bens móveis.
Perseo, um gato laranja de cinco anos, foi levado para casa em 2021, quando tinha apenas um mês de vida. Ele foi adotado por Polina Torres e Rodrigo Dussarrat na cidade de Osorno, no sul do Chile. Depois da separação do casal, o animal viveu entre duas casas, e as mudanças mensais lhe causavam forte estresse: tremores, miados altos e até incontinência por medo.
Em primeira instância, o tribunal estabeleceu a guarda compartilhada, com a entrega do gato uma vez por mês em uma delegacia de polícia. Polina recorreu da decisão, e o tribunal de apelação de Valdivia a anulou. O Supremo Tribunal confirmou: a alternância é inadmissível devido ao alto nível de conflito entre os ex-companheiros e à necessidade de proteger a estabilidade do animal.
Os juízes destacaram que, embora ambas as partes fossem tutores responsáveis, o bem-estar de Perseo como ser capaz de sentir deve estar acima dos direitos de propriedade. O Código Civil do Chile ainda classifica os animais como «coisas móveis», porém o tribunal se baseou nas normas de proteção animal.
O advogado de Polina observou que a decisão cria um precedente importante: nas disputas sobre animais de estimação, agora serão levados em conta não apenas o direito de propriedade, mas também o impacto real das decisões sobre o animal. Perseo passará a viver apenas com Polina, sem mudanças mensais.
Este caso mostra como a jurisprudência reconhece gradualmente o direito dos animais de estimação ao bem-estar emocional e à estabilidade, mesmo quando a lei ainda está atrasada.


