Matteo Paz, um estudante americano do ensino médio da Pasadena High School, na Califórnia, alcançou um avanço inesperado na astronomia. Usando inteligência artificial, ele analisou dados arquivados do telescópio NEOWISE da NASA e identificou mais de 1,5 milhão de fontes de luz variáveis anteriormente desconhecidas.
Tudo começou no verão de 2022, quando Paz ingressou no programa Planet Finder Academy. Sob a supervisão do cientista Davy Kirkpatrick, do Caltech, no Infrared Processing and Analysis Center (IPAC), ele trabalhou com uma vasta quantidade de dados do telescópio NEOWISE, lançado em 2009 para detectar asteroides próximos à Terra.
Em seis semanas, Paz desenvolveu um algoritmo automatizado de aprendizado de máquina. Ele aplicou transformadas de Fourier e análise de wavelet para captar variações sutis na luminosidade de objetos que escapavam dos métodos convencionais.
O sistema identificou fontes cintilantes, pulsantes e em declínio — características de quasares, estrelas binárias e supernovas. O catálogo, que inclui 1,5 milhão de objetos, foi publicado no final de 2025 e já está sendo utilizado pelo Observatório Vera C. Rubin.
O trabalho recebeu apoio de pesquisadores do Caltech, incluindo Shubhaneh Hemmati, Daniel Masters, Ashish Mahabal e Matthew Graham. No início de 2026, a liderança da NASA reconheceu publicamente a contribuição do adolescente.
Paz desenvolveu suas habilidades na Math Academy do Pasadena Unified School District. Seu algoritmo é capaz de analisar qualquer dado temporal e tem aplicação potencial em outras áreas, desde finanças até neurociência.
E se o próximo grande salto na ciência não vier de um grande laboratório, mas de um estudante do ensino médio com um laptop e dados abertos?
A descoberta de Paz ressalta o papel crescente da IA na astronomia moderna. Em fevereiro de 2026, o Observatório Vera C. Rubin já enviou 800 mil alertas em uma única noite, e no futuro, espera-se até sete milhões diariamente. Lidar com tal fluxo de dados seria impossível sem aprendizado de máquina.
O artigo sobre o trabalho foi publicado no The Astronomical Journal. O catálogo já está auxiliando no estudo da evolução estelar, galáxias distantes e processos de alta energia no Universo.


