No final de setembro de 2026, a Marinha dos Estados Unidos divulgou um grande pacote de documentos sobre fenômenos aéreos não identificados. Após quatro anos de espera, o The Black Vault recebeu 1321 páginas de e-mails de Scott Bray — ex-vice-diretor da inteligência naval. Destas, 302 páginas foram retidas integralmente, e as demais saíram com supressões. O pedido havia sido apresentado ainda em maio de 2022 e abrangia toda a correspondência de Bray em que se mencionavam UAP, UFO, UAPTF, AATIP e termos relacionados.
Remember this guy? Yesterday, I got 1,300+ pages of emails to/from Scott Bray all on UAP / UFOs thanks to FOIA. I'm about to drop them all for you to take a look... After trying to formulate one cohesive story, I realize there is just too much to do so. So... soon™️!
Esses e-mails abrangem os anos em que a Marinha criou o grupo-tarefa para fenômenos não identificados — o Unidentified Aerial Phenomena Task Force. Bray estava no centro desse trabalho. Em um dos documentos diz-se claramente: Jay Stratton chefiava a UAP Task Force pela Marinha e respondia justamente a Bray. A correspondência mostra como, dentro do órgão, preparavam-se briefings para o Congresso, discutiam-se formulações públicas e reagia-se ao crescente interesse dos legisladores.
March 2020: Neill Tipton, former Director of Defense Intelligence for Collection and Special Programs, wanted to give Scott Bray, former Deputy Director of Naval Intelligence, a UAP document via hard copy he'd drive over. Why? Ahh yes, circumventing a paper trail. Why?
O mais concreto que salta aos olhos é a atitude da cúpula em relação aos próprios briefings. Em fevereiro de 2021, o vice-almirante Jeffrey Trussler explicava a mudança de liderança assim: Stratton não foi demitido, apenas se colocou uma pessoa que administraria a equipe, e não «um analista que gosta de se apresentar». O objetivo era evitar «declarações incomuns» e conduzir o trabalho a um rumo mais tranquilo. Um ano antes, a contra-almirante Kelly Aeschbach escrevia claramente que queria «tirar Jay e a Marinha do banco do motorista». Essas frases registram a avaliação interna: as apresentações sobre UAP levantavam questionamentos entre os oficiais superiores.
Os documentos abordam também a famosa avaliação de 2021, na qual 143 casos ficaram sem explicação. Na correspondência, os funcionários esclarecem um ponto importante: esses relatos não entraram na categoria «outros». Simplesmente ficaram sem categoria. Parte deles continha apenas descrições verbais dos pilotos, sem dados técnicos que pudessem ser verificados. A cúpula observava que os briefings frequentemente forneciam um conjunto de histórias, mas pouco as convertiam em análise — faltava avaliar a escala, as possíveis explicações convencionais e as consequências.
Nas cartas aparecem discussões sobre abril de 2020, quando a Marinha tornou públicos três conhecidos vídeos com UAP. Aqui também há correspondência com funcionários do Pentágono, almirantes e agentes de inteligência sobre como formular declarações públicas, como responder às solicitações da imprensa e como estruturar o trabalho do grupo-tarefa. Percebe-se que o tema UAP era levado a sério dentro do sistema: criavam-se estruturas, preparavam-se relatórios sigilosos, havia disputas sobre se os casos eram estudados com profundidade suficiente.
Este lançamento não traz imagens sensacionais nem respostas definitivas. Traz outra coisa — um olhar direto sobre como a inteligência naval lidava com fenômenos não identificados em tempo real. Os documentos mostram tanto o interesse pelo tema quanto as limitações internas e as decisões administrativas que antes ficavam atrás de portas fechadas. Agora estas 1300 páginas estão disponíveis para estudo.

