A Espanha, um país onde o futebol é há muito tempo uma religião nacional, reescreveu subitamente a história do críquete. A equipe, que até pouco tempo era considerada uma azarão, conquistou a 21ª vitória consecutiva em partidas internacionais, superando o recorde da Austrália de 2003 anos. Isto não é apenas uma série de resultados — é um sinal de que o críquete está a ultrapassar as fronteiras das potências tradicionais.
Tudo começou há três anos com uma vitória sobre a Ilha de Man. Desde então, os espanhóis derrotaram equipes como Jersey, Croácia, República Checa, Grécia e Finlândia. O sucesso mais recente — uma goleada sobre a Finlândia por 132 corridas na qualificação para o T20 World Cup 2028 — marcou a 21ª vitória consecutiva. Segundo o ICC, a Espanha ocupa o 28º lugar no ranking T20, mas permanece invicta neste formato há três anos.
O recorde australiano de 2003 anos sob a liderança de Ricky Ponting incluía 17 vitórias em ODI e três testes contra as Índias Ocidentais. Os espanhóis, por sua vez, alcançaram o feito no formato T20, onde a concorrência cresce mais rapidamente. Em 50 partidas desde 2019, venceram 41, perdendo apenas oito vezes. Tal estabilidade numa nação associada parece quase inacreditável.
O segredo não reside em talentos de nível mundial, mas num trabalho sistemático. A Espanha investe em infraestrutura e programas juvenis, atraindo jogadores com experiência noutras modalidades desportivas. Isto lembra como, numa empresa comum, um pequeno departamento pode superar gigantes graças a uma organização e motivação claras, e não devido ao orçamento.
Para o críquete, isto significa uma aceleração da globalização. Potências tradicionais como a Austrália e a Inglaterra já não podem contar com o monopólio. O surgimento de tais séries por equipes da Europa e da África altera os torneios de qualificação e obriga o ICC a rever os formatos de expansão.
O sucesso da Espanha demonstra: no esporte, a perseverança e a estratégia correta são capazes de inverter a hierarquia mais rapidamente do que os especialistas esperam. A principal lição é que, mesmo num nicho onde o país não possui raízes históricas, é possível criar um modelo de crescimento sustentável que inspire outras nações associadas.


