Pato de Pequim no 36º andar e meze gregos à beira da piscina: os novos restaurantes de Dubai fazem sentir a cidade de outra maneira

Editado por: Svitlana Velhush

No 36º andar do Mandarin Oriental Downtown, o pato à Pequim chega à mesa não apenas como um prato, mas como um ritual: primeiro a pele crocante e laqueada com panquecas, pepino e molho de pilriteiro, depois o restante da carne — seja em salada, seja salteada com pimenta-do-reino. Nesse momento, o panorama de Dubai atrás do vidro deixa de ser cenário e passa a fazer parte do sabor — a secura mineral do ar e um leve toque salgado da proximidade do mar parecem entrelaçar-se no molho.

Tudo isso acontece num espaço inspirado na Hong Kong noturna dos anos 1960: o bar Yù, com luz de jade e música ao vivo, conduz à sala de jantar oculta Mì. Aqui, o Executive Chinese Chef Yang Guojian, cuja trajetória passou pelas cozinhas sichuanesas da Ásia, responde pelo fogo e pela picância, enquanto a Dim Sum Head Chef Jade Lee, que aperfeiçoou seu ofício nos hotéis Mandarin Oriental de Kuala Lumpur e Jacarta, zela pela delicadeza dos dumplings — do caranguejo-real ao caviar por cima.

No décimo primeiro andar do mesmo hotel, o Noia By The Pool oferece uma geografia completamente diferente. O chef grego Michalis Margaritis, criado nas ilhas e com mais de doze anos de atuação fora delas, constrói o menu em torno de frutos do mar e legumes sazonais: camarões crus no gaspacho, dourada selvagem, orzo com frutos do mar, carne bovina giouvetsi. A piscina ao lado transforma o almoço num lento ritual mediterrâneo — saladas leves, sucos frescos e bebidas geladas sob o sol, que em Dubai está quase sempre presente.

Em ambos os casos, a comida existe justamente aqui porque Dubai oferece uma altura e uma vista que não existem em nenhuma cidade tradicional chinesa ou grega. Os terraços elevados e o contraste do deserto com o mar deixam de ser decoração e tornam-se ingrediente: o vento e a luz mudam a percepção da gordura do pato e do frescor do peixe.

Atualmente, esses estabelecimentos refletem a principal dinâmica da cidade — o desejo de unir tradições globais à verticalidade local e à hospitalidade. Os chefs trazem técnica e memória de suas terras natais, mas as adaptam ao ritmo daqui e ao público que valoriza a teatralidade e as vistas tanto quanto o próprio sabor.

Vale a pena ir até lá à noite: no Yù & Mì — pelo pato trinchado à mesa e pelos carrinhos de dim sum; no Noia — pelo pôr do sol sobre a baía e por um almoço sem pressa à beira da água. É melhor reservar com antecedência, especialmente nos terraços.

Esses restaurantes mostram que, em Dubai, a comida se torna uma forma de compreender como a cidade transforma memórias alheias em sua própria altura e luz.

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Fontes

  • 10 new Dubai restaurants and cafes

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