Segundo informações da BBC, o ex-vendedor de automóveis de 26 anos, Clément Vandenkerckhove, foi oficialmente reconhecido como filho do príncipe Laurent, irmão mais novo do atual rei da Bélgica, Philippe. Este reconhecimento confere ao jovem o título de príncipe, mas impõe uma série de restrições jurídicas e financeiras significativas ao seu estatuto.
Como ocorreu o reconhecimento de paternidade
Clément é filho ilegítimo do príncipe Laurent e da cantora belga Wendy Van Wanten (nome verdadeiro — Iris Vandenkerckhove). O romance ocorreu antes do casamento oficial do príncipe com a princesa Claire em 2003.
Segundo Clément, a mãe revelou-lhe o segredo da sua origem apenas quando ele completou 16 anos. Aos 20 anos, decidiu contactar o pai por iniciativa própria. Após várias conversas telefónicas, ocorreu um encontro pessoal, durante o qual o próprio príncipe Laurent propôs a realização de um teste de ADN para estabelecer o parentesco biológico. Os resultados do exame genético confirmaram a paternidade com uma probabilidade de 99,5%. A cerimónia de aceitação de Clément na família ocorreu há alguns meses, mas os detalhes só agora se tornaram conhecidos do grande público.
Estatuto jurídico e restrições
Apesar da obtenção do título, o estatuto de Clément Vandenkerckhove difere radicalmente da posição dos filhos nascidos de casamento legítimo (a princesa Louise e os príncipes Aymeric e Nicolas). De acordo com os termos do reconhecimento:
- Ele não receberá o apoio financeiro devido aos membros oficiais da família real belga.
- Ele está excluído da linha de sucessão ao trono.
- Ele não é obrigado a participar nos eventos cerimoniais tradicionais da monarquia.
Na prática, o título tem um caráter biológico confirmado, mas não integra o jovem na instituição da monarquia com os seus privilégios e deveres estatais.
Posição pessoal e paralelos históricos
O próprio Clément declarou que ainda não tomou uma decisão definitiva sobre a mudança do seu apelido para o real (Saxe-Coburgo). Numa entrevista à publicação Het Nieuwsblad ele sublinhou que se orgulha do apelido Vandenkerckhove e considera que, ao abandoná-lo, estaria a trair tudo o que a sua mãe fez por ele.
Este caso tem paralelos históricos notáveis dentro da própria monarquia belga. O pai do príncipe Laurent, o ex-rei da Bélgica Alberto II, em 2020 também reconheceu a sua paternidade em relação a uma filha ilegítima, Delphine Boël. No entanto, ao contrário do caso atual, o reconhecimento de Alberto II só ocorreu após uma longa batalha judicial e a realização de um teste de ADN obrigatório sob a ameaça de pesadas multas diárias. O processo com o príncipe Laurent decorreu de forma voluntária e sem intervenção judicial.
