Tendo como pano de fundo o antigo parque industrial de Shougang, em Pequim, onde se realizou a Conferência Mundial sobre Cooperação e Desenvolvimento do Turismo de 2026, foi lançada oficialmente, em 10 de setembro, a plataforma em língua inglesa China Bound•Beijing. Não se trata apenas de mais um serviço digital, mas de uma tentativa de combinar ferramentas tecnológicas com a preservação do tecido cultural vivo da cidade, onde templos antigos convivem com bairros modernos.
A plataforma inclui o site em inglês chinabound.cn/beijing, bem como páginas especiais nos miniprogramas Alipay e WeChat. Os visitantes têm acesso ao planeamento de itinerários, a um assistente de IA e a recomendações sobre o património cultural imaterial. Segundo Zheng Fang, vice-diretora do Gabinete de Cultura e Turismo de Pequim, o objetivo é falar sobre Pequim numa linguagem compreensível para os visitantes estrangeiros e transformar as vantagens de recursos da cidade numa atratividade real para o turismo recetivo.
O lançamento ocorreu no âmbito da conferência sob o lema "Turismo Inteligente, Prosperidade Comum". Os participantes, incluindo o prefeito de Valletta, Olaf Mackay, e o vice-presidente da Pacific Asia Travel Association, Ben Montgomery, sublinharam que a tecnologia deve não só simplificar a logística, mas também promover as ligações humanas, em vez de as substituir. Num contexto em que Pequim subiu no ranking das cidades turísticas mundiais, tais ferramentas são vistas como uma forma de equilibrar os interesses dos residentes locais e dos visitantes.
A plataforma faz parte de uma iniciativa mais ampla do China Daily, a «China Bound», que já abrange outras cidades. Oferece não só reservas e tradução, mas também uma imersão no quotidiano: desde restituições de impostos até recomendações de experiências autênticas. Isto é especialmente relevante num contexto de flexibilização de vistos, que torna a China mais acessível para jovens viajantes vindos do estrangeiro.
No entanto, por trás da conveniência há também uma questão mais profunda: poderá o algoritmo ajudar o turista a sentir Pequim não como um conjunto de pontos de interesse, mas como um organismo vivo, onde as tradições se entrelaçam com as inovações. Segundo os organizadores, a ênfase é colocada na prolongação da estadia e em itinerários aprofundados, o que reduz a pressão do turismo de massa sobre os locais principais.
No relatório da Federação Mundial de Cidades Turísticas, apresentado na conferência, Pequim é destacada pela combinação de recursos culturais, gestão inteligente e segurança. A plataforma torna-se a concretização prática destas ideias, oferecendo aos visitantes estrangeiros instrumentos para uma descoberta autónoma, mas significativa, da cidade.
Assim, a China Bound•Beijing ilustra como as soluções digitais podem servir de ponte entre culturas, desde que sejam concebidas tendo em conta não apenas a eficiência, mas também a dimensão humana das viagens.
