Suécia: onde o sol do norte derrete o gelo do coração

Autor: Svitlana Velhush

Suécia: onde o sol do norte derrete o gelo do coração-1

Esqueça tudo o que já ouviu sobre a Suécia. Deixe de lado os catálogos monótonos da IKEA, os estereótipos de vikings austeros e a ideia de que este é um país de gelo eterno. A Suécia é muito mais do que um simples ponto no mapa da Escandinávia. É um estado de espírito. Trata-se de um paradoxo onde, apesar dos dez graus negativos lá fora, o calor humano interior pode chegar aos vinte e cinco graus positivos. A Suécia não proclama a sua grandeza aos gritos; ela sussurra-a ao seu ouvido, e esse sussurro ressoa com mais força do que qualquer clamor.

Suécia: onde o sol do norte derrete o gelo do coração-1

Estocolmo: Uma cidade tecida de água e luz

Suécia: onde o sol do norte derrete o gelo do coração-2

Estocolmo não está apenas situada à beira-mar — ela dança com a água numa valsa interminável. Esta cidade emerge do Mar Báltico como se fosse uma miragem que se tornou realidade. Ao atravessar as pontes que ligam as suas catorze ilhas e observar os iates a deslizar pelos canais espelhados, percebe-se que, aqui, a água é a avenida principal.

Suécia: onde o sol do norte derrete o gelo do coração-3

Depois, mergulha-se em Gamla Stan, a Cidade Velha. São ruas estreitas e sinuosas, pavimentadas com pedras que guardam as pegadas de reis e o passo de artesãos medievais. As fachadas exibem tons de ocre, terracota e um dourado desbotado pelo tempo. O ar nestas ruelas cheira a canela, a pedra antiga e a mistério. Estocolmo não é um museu a céu aberto; é um organismo vivo que respira ao ritmo das marés.

Suécia: onde o sol do norte derrete o gelo do coração-4

Museu Vasa: O leviatã de madeira que venceu o tempo

Suécia: onde o sol do norte derrete o gelo do coração-5

Existem lugares que nos tiram o fôlego, não apenas pela beleza, mas pela magnitude da tragédia e do triunfo. O Museu do Navio Vasa é exatamente um desses locais. Ao entrar num hangar gigantesco, depara-se com um colosso de guerra de 64 canhões, adornado com entalhes dourados. É o navio que naufragou na sua viagem inaugural em 1628 e permaneceu no fundo do mar durante 333 anos.

Suécia: onde o sol do norte derrete o gelo do coração-6

Contemplar este leviatã de madeira perfeitamente preservado é como olhar através de uma máquina do tempo. É possível ver as marcas dos machados dos carpinteiros navais e os pertences pessoais dos marinheiros, preservados como se estivessem em âmbar. Este é um monumento à vaidade humana que foi castigada pelo mar, mas que acabou por alcançar a imortalidade.

Suécia: onde o sol do norte derrete o gelo do coração-7

Fika e a filosofia "Lagom": A religião da alma sueca

Suécia: onde o sol do norte derrete o gelo do coração-8

No entanto, a verdadeira Suécia não se esconde nos palácios reais. Ela vive nos pequenos cafés de esquina, onde paira o aroma de café acabado de fazer e pastelaria fresca. O "fika" sueco não é apenas um simples lanche. É uma pequena pausa no tempo. Trata-se de um ritual sagrado onde chefes e subordinados, ricos e pobres, se sentam à mesma mesa apenas para estar.

Suécia: onde o sol do norte derrete o gelo do coração-9

Nesta pausa com uma chávena de café e um caracol de canela (kanelbulle) reside o principal segredo da felicidade sueca: a filosofia "lagom". "Nem muito, nem pouco — na medida certa". Os suecos não correm atrás de ostentação. Eles encontraram o equilíbrio. Sabem desfrutar do momento sem tentar extrair da vida mais do que ela está disposta a dar. E nesta serenidade reside uma força magnética e reconfortante.

Suécia: onde o sol do norte derrete o gelo do coração-10

Magia selvagem: Florestas esmeralda e casas vermelhas

Assim que se deixa os limites da cidade, surge uma Suécia diferente. São florestas infinitas e ancestrais, onde pinheiros e abetos centenários criam uma penumbra verdejante. Lagos de águas cristalinas refletem o céu com tal precisão que se torna difícil distinguir onde termina a água e começa o ar.

De repente, sobre este mar de esmeralda, surge uma pequena casa de madeira vermelha com molduras brancas nas janelas. Este contraste, esta explosão de cor diante da contenção da natureza nórdica, atinge-nos diretamente no coração. Esta é a Suécia de postal, que se revela muito mais viva, profunda e autêntica do que qualquer fotografia poderia captar.

Arquipélago: Onde a terra beija o mar

O arquipélago de Estocolmo é uma constelação de trinta mil ilhas, ilhéus e recifes. Ao alugar um barco ou simplesmente apanhar um ferry, entra-se num outro mundo. Aqui não há pressas. Ouve-se apenas o sussurro do vento nas copas dos pinheiros, o grito das gaivotas e os salpicos de água salgada no rosto. À noite, quando o sol (que no verão quase não se põe) pinta tudo com tons suaves de rosa e dourado, sente-se uma comunhão absoluta e total com o universo.

O segredo fundamental do reino do norte

A Suécia ensina-nos uma lição importante. Mostra que o calor não é a temperatura que marca no exterior. O calor é a forma como nos relacionamos com o mundo à nossa volta. É o café quente num dia frio. É o sorriso de um estranho. É a capacidade de parar, respirar fundo e dizer para si mesmo: "Agora está tudo bem. Está na medida certa".

A Suécia não deixa ninguém indiferente. Ou ela quebra os seus estereótipos, ou faz com que se apaixone desde o primeiro segundo. E quando partimos, deixando para trás as casas vermelhas e o espelho dos lagos, levamos connosco mais do que simples recordações. Levamos um fragmento desta luz do norte, que nos aquecerá durante muito tempo.

59 Visualizações
Encontrou um erro ou imprecisão?Vamos considerar seus comentários assim que possível.