Em 22 de outubro de 2026, realizou-se uma conferência de imprensa no distrito de Lingang, em Xangai, na qual foram anunciados os detalhes do próximo Fórum Mundial de Cientistas de Destaque. O tema é «Mudança de paradigmas: avanços científicos da próxima década». O fórum decorrerá de 30 de outubro a 1 de novembro no seu local permanente — o centro em Lingang. Entre os 33 participantes confirmados estão laureados com os prémios Nobel, Turing, Wolf e Fields, incluindo o duas vezes laureado com o Nobel Barry Sharpless, que voltará a participar.
Os copresidentes do fórum são o antigo presidente da Associação Chinesa de Ciência e Tecnologia, Wan Gang, e o laureado norte-americano com o Nobel de 2013, Randy Schekman. Foi criado pela primeira vez um comité académico conjunto sino-estrangeiro, sob a direção do académico Zhang Jie e do presidente da Academia de Ciências de Nova Iorque, Du Ningkai. Foram convidados 139 cientistas experientes e 81 jovens cientistas; mais de 80 % dos participantes são novos no fórum. Eventos adicionais abrangerão os jovens, as mulheres cientistas e as questões de comercialização dos resultados.
Para Wan Gang e Schekman, isto é a continuação de uma longa linha: ambos construíram durante décadas pontes entre os sistemas científicos nacionais. Wan Gang, engenheiro de formação e antigo ministro, promoveu de forma consistente os projetos internacionais da China nas áreas dos veículos elétricos e das energias renováveis. Schekman, conhecido pelos seus trabalhos em biologia celular, sublinhou repetidamente a necessidade de uma partilha aberta de dados, mesmo em períodos de tensão política.
O evento confirma um padrão persistente: os cientistas de destaque vêm a Xangai não apesar da fragmentação global, mas precisamente por causa dela. Numa conjuntura em que a geopolítica complica os vistos e o financiamento de projetos conjuntos, o fórum oferece uma plataforma rara para o diálogo direto. A China utiliza a infraestrutura e o financiamento para se posicionar como anfitriã neutra, e não apenas como participante. Não se trata de uma coincidência fortuita — os fóruns anteriores já atraíam um número crescente de laureados, e a proporção de académicos chineses aumentou de forma notável.
As forças que atuam sobre os participantes são evidentes: precisam de manter o acesso às redes e aos dados globais sem, ao mesmo tempo, perderem a reputação de investigadores independentes. Para os organizadores, trata-se de demonstrar que a China é capaz de reunir a elite da ciência quando outras plataformas se estreitam. As declarações públicas sobre a «mudança de paradigmas» divergem da realidade: o principal valor do fórum não está em novas teorias, mas no próprio facto do encontro.
Tal como uma velha ponte que se repara não por ser bela, mas porque sem ela a travessia se torna perigosa, também estes fóruns mantêm canais que, de outro modo, poderiam desaparecer. Os cientistas vêm porque a alternativa — programas nacionais isolados — retarda precisamente os avanços pelos quais trabalham há décadas.
No final, 33 laureados em Xangai mostram: mesmo num mundo dividido, a ciência continua a procurar uma linguagem comum, e aqueles que a encontram primeiro definem as regras da próxima década.


