No segundo trimestre do ano 2026, as emissões de dióxido de carbono na China caíram 1%. Segundo uma nova análise do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA), publicada pelo veículo Carbon Brief, trata-se de um acontecimento histórico: pela primeira vez, a redução das emissões no país está ligada justamente à queda acentuada do consumo de petróleo, e não de carvão.
Fatores geopolíticos e o choque do petróleo
A China é o maior importador mundial de petróleo bruto e a segunda maior economia do planeta. No entanto, entre abril e junho do ano 2026, o país enfrentou graves interrupções no abastecimento de energia. A causa foi a queda acentuada da demanda por importações de petróleo, em meio a perturbações de grande escala no transporte marítimo internacional através do Estreito de Ormuz, relacionadas com a escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã. Por essa rota estrategicamente vital passava anteriormente cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás.
Em consequência desses acontecimentos, o consumo total de petróleo na China diminuiu 9%, e no setor de transportes esse indicador caiu 16%, segundo estimativas baseadas em dados do governo chinês.
A eletrificação acelerada como resposta aos desafios
A crise do petróleo não só reduziu as emissões, mas também se tornou um catalisador da transição acelerada para o transporte elétrico em setores tradicionalmente intensivos em energia, como a construção civil e a indústria extrativa.
Segundo Lauri Mülli Virta, cofundador e analista-chefe do CREA, a situação criada confirmou com absoluta clareza a correção da estratégia da China no domínio da segurança energética e, em particular, o papel da eletrificação como seu elemento-chave.
Os dados do segundo trimestre do ano 2026 demonstram de forma evidente essa mudança estrutural:
- As vendas de caminhões elétricos cresceram cerca de 77% em termos anuais.
- O número de veículos elétricos nas estradas aumentou 33%.
- O volume de carregamento do transporte elétrico cresceu 60%, o que evidencia uma utilização mais intensa e eficiente da frota de veículos elétricos já existente.
Contexto histórico e significado para o clima
Anteriormente, quaisquer episódios de redução das emissões de gases com efeito de estufa na China eram explicados predominantemente pela diminuição do consumo de carvão na indústria e no setor energético. A nova tendência mostra que a economia chinesa está a tornar-se menos dependente dos combustíveis líquidos e que a estratégia de substituição das importações por tecnologias nacionais (em primeiro lugar, a mobilidade elétrica) produz um efeito climático mensurável.
Embora a atual redução das emissões em 1% possa parecer modesta face aos volumes totais de emissão da China, o próprio facto da mudança qualitativa da estrutura do consumo de energia tem um importante significado simbólico e prático para a agenda climática global.
Conclusão
Os acontecimentos do segundo trimestre do ano 2026 demonstram como os choques geopolíticos podem acelerar involuntariamente a transição energética. Para a China, a restrição das importações de petróleo transformou-se de problema em oportunidade para aprofundar a eletrificação da economia. Permanece em aberto a questão de saber se esta tendência se manterá após a estabilização da situação nos mercados mundiais de energia, mas desde já é evidente que a mobilidade elétrica se tornou um amortecedor fiável da segurança energética do país.
Fontes com base nas quais o material foi elaborado:
- Relatório analítico do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA).
- Publicação do veículo especializado em ambiente Carbon Brief.
- Materiais da agência de notícias Euronews.
- Dados oficiais da estatística governamental da República Popular da China sobre consumo de energia e o setor de transportes.


