O mercado global de tecnologias e soluções sustentáveis atingiu uma escala sem precedentes. De acordo com um novo relatório da Bolsa de Valores de Londres (LSEG), a capitalização de mercado da chamada "economia verde" ultrapassou, pela primeira vez na história, a marca de 10 trilhões de dólares (cerca de 7,6 trilhões de libras esterlinas). Este recorde foi alcançado em meio à alta volatilidade dos mercados mundiais e às constantes interrupções nas cadeias de suprimentos de combustíveis fósseis tradicionais.
Nova configuração dos setores globais
Os dados da LSEG indicam que a economia verde — termo que abrange empresas focadas no desenvolvimento e implementação de soluções ambientais e climáticas — deu um salto significativo. Em termos de valor de mercado agregado, o segmento superou oficialmente o setor global de saúde.
Analistas da LSEG destacam que, caso a economia verde fosse classificada como um setor oficial independente (o que ainda não ocorre nos padrões tradicionais), ela ocuparia o terceiro lugar no ranking mundial. À sua frente estariam apenas gigantes consolidados, como o setor de tecnologia da informação (TI) e o de bens e serviços industriais.
Os indicadores financeiros confirmam a resiliência dessa tendência. Mesmo diante de desafios macroeconômicos, a receita das empresas do setor verde cresceu 5,3% em 2025, registrando o ritmo de expansão mais acelerado dos últimos três anos, desde 2022.
Da ecologia à segurança energética
Se antes a transição para modelos sustentáveis era motivada principalmente pela preservação ambiental e metas de descarbonização, agora a economia pragmática e a segurança nacional assumiram o protagonismo.
Conforme aponta o relatório da LSEG, a economia verde global em 2026 será moldada por dois fatores de igual importância:
- A busca pela descarbonização.
- A necessidade de segurança energética e proteção contra interrupções no fornecimento.
"O atual choque energético pode acelerar ainda mais essa mudança, pois evidencia as vantagens de escalabilidade e segurança energética de muitas tecnologias verdes", afirmam os especialistas citados no relatório.
Nações e corporações em todo o mundo compreenderam que as fontes de energia renovável, os sistemas de armazenamento e as redes inteligentes permitem reduzir a dependência da importação de combustíveis fósseis e mitigar riscos geopolíticos.
O mercado ignora as barreiras políticas
O crescimento da economia verde ocorre em um clima político extremamente complexo. Em diversos países, especialmente nos Estados Unidos, a atual presidência e outros políticos de inclinação populista tentam frear ativamente a transição sustentável, cortando subsídios estatais e endurecendo o discurso contra iniciativas ecológicas.
Contudo, como demonstra o relatório da LSEG, a lógica de mercado tem se mostrado mais forte que as barreiras políticas. Apesar dos obstáculos artificiais em níveis governamentais específicos, as receitas e a valorização das empresas verdes mantêm uma trajetória de forte crescimento. Os investidores estão "votando" com seu capital, enxergando nas tecnologias sustentáveis não apenas um ativo de imagem, mas o alicerce para a estabilidade econômica de longo prazo e a independência energética.
O que isso representa para o futuro?
Superar a marca dos 10 trilhões de dólares representa um ponto de não retorno. A economia verde deixou de ser um nicho para capital de risco ou uma concessão a ativistas ambientais. Hoje, trata-se de um player sistêmico e robusto que dita as regras no mercado global.
Ao contrário do que previam os céticos, as crises energéticas e a instabilidade geopolítica não empurraram o mundo de volta ao carvão e ao petróleo, mas serviram como catalisadores para a adoção em massa de tecnologias verdes escaláveis.



