Pesquisar no Google, fazer net, como é que se diz agora?

Autor: Nataly Lemon

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Pesquisar no Google, fazer jam, fazer chatbot, fazer net, fazer grok, como é que a linguagem de pesquisa está a mudar?

Há não muito tempo, "pesquisar no Google" era a resposta universal para quase qualquer pergunta. Hoje em dia, as gerações Z e Alpha respondem cada vez mais com um "search it up" - "pesquisa-o" - em vez de uma ligação a uma marca específica.

Esta mudança pode parecer um detalhe linguístico, mas na verdade demonstra uma alteração mais profunda: os jovens utilizadores estão cada vez menos a iniciar pesquisas através da barra de pesquisa tradicional e cada vez mais a recorrer a chatbots, assistentes de voz e aplicações como o TikTok.

O que está por trás da mudança de palavras

A frase "pesquisar no Google" funcionou durante décadas porque o Google era quase sinónimo de pesquisa. Mas a nova geração cresceu num ambiente onde uma pergunta pode ser respondida de várias formas: através da Siri, do ChatGPT, do Gemini, do TikTok ou de outras interfaces.

Por isso, "search it up" é mais conveniente: não é uma marca nem uma plataforma, mas sim uma instrução. Esta expressão deixa a pessoa livre para escolher onde procurar a resposta e reflete uma realidade digital mais fragmentada.

A influência do ChatGPT vai além da tecnologia e já é visível na linguagem. Os investigadores notam que palavras e expressões associadas à IA estão a infiltrar-se na linguagem quotidiana.

Isto é importante não só para os linguistas, mas também para os media, o marketing e as plataformas. Se a geração primeiro pensa num chatbot em vez de num motor de pesquisa, então os hábitos de obtenção de informação e os canais através dos quais as marcas e os media competem pela atenção também estão a mudar.

O que isto significa para a pesquisa

A mudança de frase reflete também uma mudança de percurso. Os jovens utilizadores não vão necessariamente primeiro ao Google: perguntam a um chatbot, a um assistente de voz ou procuram uma dica nas redes sociais.

Para os motores de busca, isto é um sinal de que o seu papel já não se limita a apresentar resultados clássicos. Eles têm de integrar IA, tornar as respostas mais conversacionais e competir não só entre si, mas também com interfaces que nem sequer se parecem com motores de pesquisa.

Para o jornalismo, existem duas conclusões. Primeira: a linguagem muda sempre seguindo o comportamento, e as palavras muitas vezes registam primeiro uma mudança tecnológica maior. Segunda: o público cada vez menos distingue "pesquisa", "recomendação", "resposta" e "chat" - tudo isto se mistura num único cenário de utilizador.

Para as marcas e o marketing de conteúdo, isto significa a necessidade de comunicar não só na lógica do SEO, mas também na lógica de uma resposta útil. Se uma pessoa espera não "encontrar um link", mas sim "obter uma explicação pronta", então ganha quem responde com mais precisão e rapidez.

A história da transição de "pesquisar no Google" para "search it up" não é apenas uma mudança de gíria da moda. É um marcador de como a IA, as redes sociais e os assistentes de voz estão a reestruturar a própria cultura de procura de informação.

Afinal, não estamos a assistir a uma rejeição do Google em si, mas sim ao fim de uma era em que o nome de uma única empresa se tornou um verbo para toda a realidade digital.

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Fontes

  • Fortune

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