Um novo estudo mostra: a informação nos neurônios não é transmitida como um código — mas como um fluxo físico, inseparável do calor. A termodinâmica quântica chegou ao cérebro
Quando os neurobiólogos falam sobre informação no cérebro, geralmente querem dizer algo como um código — padrões de ativação dos neurônios, sinais elétricos, marcadores químicos. Informação como abstração, que simplesmente está «inscrita» na matéria. Um novo trabalho do professor Onur Pusuluk, da Universidade Kadir Has, na Turquia, publicado no arXiv, propõe uma visão radicalmente diferente. A informação nos neurônios não é uma abstração. É um processo físico, inseparável da própria matéria do cérebro. E a chave para esse processo é o calor.
Pusuluk baseia-se no chamado efeito termocoerente — um fenômeno no qual o fluxo térmico e o fluxo informacional em um sistema estão mutuamente ligados através da coerência quântica. Quando o calor flui através do tecido neuronal, ele carrega consigo não apenas energia, mas uma estrutura relacional distribuída por uma multiplicidade de neurônios simultaneamente. Essa estrutura não pertence a nenhum neurônio individual. Ela é invisível ao observador local — seja o neurônio vizinho ou um instrumento de medição. Ela existe apenas como um todo. O cérebro, nesse quadro, não é um computador que processa um código. É um sistema termodinâmico-quântico vivo, onde o pensamento e o fluxo térmico são dois lados de um mesmo processo físico.
O que torna este trabalho especialmente interessante é a sua ligação com o que já sabemos sobre a natureza quântica da consciência. Se a informação no cérebro é transmitida através de coerência quântica distribuída, isso significa: o cérebro utiliza exatamente o tipo de organização que a física quântica considera fundamental para a natureza do próprio espaço e da matéria. Pusuluk propõe um mecanismo concreto e verificável, através de canais iônicos, redes de prótons ligadas por hidrogênio e moléculas contendo fosfato nos neurônios — pelo qual interações quânticas microscópicas se ampliam e influenciam a dinâmica cognitiva do cérebro como um todo.
É importante que Pusuluk evite deliberadamente afirmações grandiosas. O trabalho foi publicado como pré-print no arXiv e ainda não passou por revisão por pares. O autor não afirma que o cérebro seja um computador quântico, e claramente se distancia de teorias especulativas de consciência quântica macroscópica. Ele propõe algo mais preciso e mais intrigante: entre a física quântica microscópica e a dinâmica cognitiva macroscópica existe uma ponte fisicamente fundamentada e verificável. O pensamento não é simplesmente computação. É um processo termodinâmico no qual as relações quânticas entre as partes do sistema tornam-se um recurso tão real quanto a energia ou a matéria. A informação não apenas é armazenada no cérebro, mas flui através dele — junto com o calor.




