Uma partícula quântica não escolhe um único caminho - ela percorre, por assim dizer, todos os possíveis ao mesmo tempo, e somente a soma dessas trajetórias produz o resultado observável. Foi exatamente essa ideia, proposta por Richard Feynman em 1948, que cientistas chineses verificaram pela primeira vez em um experimento direto.
O grupo liderado por Shi-Liang Zhu, da Universidade Normal do Sul da China e do Laboratório Nacional de Hefei, realizou medições em fótons individuais. Os pesquisadores construíram um esquema óptico complexo, no qual o fóton passava por uma sequência de "labirintos" de deslocamentos de fase e polarizadores. Eles mediram com precisão cinco propagadores - objetos matemáticos que descrevem a evolução de um estado quântico entre dois pontos - e os multiplicaram, reconstruindo, ao final, 1 419 857 trajetórias individuais.
Os resultados coincidiram com as previsões da fórmula de Feynman com alta precisão: as probabilidades surgiam da superposição coerente de todos os caminhos, e as amplitudes de todas as trajetórias tinham a mesma magnitude, enquanto a fase era determinada pela ação clássica em unidades da constante de Planck. Isso é uma confirmação direta de dois postulados fundamentais que antes eram aceitos como verdade.
Imagine que você joga uma pedra em um lago: a física clássica vê uma única trajetória, mas a mecânica quântica exige somar as contribuições de bilhões de caminhos "fantasmas", cada um contribuindo com uma pequena correção. O experimento mostrou que, sem considerar todas essas correções, a previsão não funciona - e é exatamente assim que um fóton real se comporta.
O trabalho, publicado em 26 de agosto de 2026 na revista Science Advances, abre caminho para novos testes em óptica quântica e para um controle mais preciso dos estados quânticos. Agora será possível verificar diretamente como o meio ambiente ou a medição "cortam" caminhos extras e criar dispositivos quânticos mais robustos.
O experimento não apenas confirmou uma teoria antiga - ele forneceu uma ferramenta para olhar mais fundo na própria natureza da realidade quântica.




