Chuvas extremas na Ásia: inundações e tufões expõem a vulnerabilidade da região às mudanças climáticas

Editado por: Alex Khohlov

No Afeganistão oriental, na região montanhosa de Nuristão: choveu por dez dias e noites seguidos como nunca antes. Casas de pedra e adobe, adaptadas por séculos às chuvas das montanhas, começaram a desmoronar uma após a outra. 'Essas chuvas estão cada vez mais fortes e vêm antes do esperado', dizem os moradores locais. Para a região, onde as pessoas conhecem a mesma música sazonal há décadas, isso foi um choque.

Uma situação semelhante está ocorrendo em Bangladesh. Em julho de 2026, Chittagong experimentou uma das chuvas mais fortes de sua história: 412 milímetros de precipitação em um dia — o maior índice em 42 anos de observações.

Do Afeganistão a Taiwan, a região asiática foi varrida por uma onda sem precedentes de catástrofes hídricas. Na Índia, Paquistão e Bangladesh, as chuvas de monção tornaram-se imprevisíveis e abundantes ao mesmo tempo. Na China, desde abril, mais de 600 rios ultrapassaram os níveis críticos — 35% a mais do que o normal.

O tufão 'Noul', no final de julho de 2026, forçou a evacuação de cerca de 900 mil pessoas na província de Guangdong, sendo este o tufão mais forte a atingir a China este ano.

Em Taiwan, em junho, as perdas agrícolas de uma série de chuvas ultrapassaram 330 milhões de dólares taiwaneses novos, e em Taipei foi registrado o maior nível mensal de precipitação em mais de um século de observações meteorológicas.

Cientistas atribuem o aumento das chuvas ao aquecimento da atmosfera — o mecanismo é simples e implacável. O ar mais quente é capaz de reter mais vapor d'água: a cada grau Celsius, ele acumula cerca de 7% mais umidade. Quando a chuva começa, ela cai com mais intensidade e, muitas vezes, por um período mais curto.

De acordo com o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o aumento das temperaturas eleva a ameaça de inundações em regiões de monção do Sul, Sudeste e Leste da Ásia, além de acelerar o derretimento das geleiras no Hindu Kush e no Himalaia. Estudos da iniciativa internacional World Weather Attribution mostram que as chuvas extremas de ciclones no Sudeste Asiático estão se intensificando há várias décadas. Dados de 2025 indicam que quase metade das chuvas sazonais na Ásia Meridional agora cai em 20–30 horas, o que aumenta drasticamente o risco de inundações e deslizamentos de terra.

A situação é agravada por tempestades sucessivas. No sul da China, o tufão 'Maisak', em julho, inundou áreas baixas e criou condições para que centenas de cobras escapassem de fazendas e aparecessem em áreas alagadas. No Japão e no Vietnã, as chuvas causaram deslizamentos de terra perigosos. Na Coreia do Sul, o calor e as inundações se alternam, criando um estresse intermitente para a população. As previsões para o restante do verão de 2026 são preocupantes: o norte da China, incluindo Pequim, pode receber 20–50% mais precipitação do que o normal, e o número de tufões afetando o país é esperado acima da média.

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Meia Lua Vermelha, que coordena a ajuda às vítimas em toda a região asiática, enfatiza o óbvio: esses eventos não são uma abstração matemática, mas sim consequências humanitárias reais das mudanças climáticas. Hossam Faisal, chefe da delegação da organização no Afeganistão, apela aos governos para que invistam recursos não apenas na resposta a desastres, mas também em medidas preventivas: alerta antecipado de perigo, reforço de drenagem e proteção de estradas, preparação da população antes mesmo da chegada do desastre. O esperado aquecimento de El Niño apenas sublinha a urgência de tais ações.

Assentamentos humanos, adaptados por séculos a um certo ritmo e intensidade de chuvas, agora enfrentam uma realidade nova e implacável. Casas construídas para um regime de precipitação, estradas projetadas sob outras condições climáticas, plantações calculadas para prazos conhecidos, até mesmo sistemas de saúde — tudo se mostra despreparado para chuvas que não são apenas mais fortes, mas fundamentalmente diferentes em seu caráter e periodicidade.

Investimentos em alerta antecipado, em fortalecimento de infraestrutura e em apoio direto às comunidades locais permitem reduzir significativamente o número de vítimas em futuras chuvas extremas. Mas para isso é preciso agir agora, antes que a janela de oportunidade se feche.

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Fontes

  • From Afghanistan to Taiwan, unprecedented deluge highlights devastating impact of climate breakdown

  • Torrential rains cause over NT$300 million in agricultural losses

  • Monsoon-driven flash flooding kills at least 20 in Afghanistan

  • Afghanistan Floods Again: Communities Never Get Time to Recover

  • Chittagong records highest daily rainfall in 42 years

  • Floods in Chittagong kill 55, damage over 44,000 houses

  • Typhoon Noul makes landfall in Guangdong, nearly 900,000 evacuated

  • Noul triggers heavy rainfall in Guangdong

  • How the south Asian monsoon is changing in a warming climate

  • South Asia monsoon: climate change's dangerous impact on lifeline rains

  • Chattogram records heaviest 24 hours of rainfall in 42 years

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