As empresas públicas de mineração de Bitcoin reduziram sua participação na rede em 21% em seis meses — e isso não é uma coincidência, mas uma consequência direta do fato de que eletricidade e capacidade agora geram mais dinheiro em data centers para inteligência artificial.
Ainda recentemente, após a proibição da mineração na China em 2021, empresas públicas americanas estavam ativamente aumentando sua capacidade, comprando locais e encomendando chips ASIC. A rede Bitcoin ultrapassou um zettahash por segundo. No entanto, após o halving de 2024, a economia da mineração piorou, e a demanda por capacidade computacional para IA disparou.
De acordo com TheEnergyMag, o hashrate combinado dos mineradores públicos caiu de 368 EH/s no quarto trimestre de 2025 para 319 EH/s no segundo trimestre de 2026. Sem a Bitdeer, que continua a se expandir, a redução foi de 21,2%. A rede Bitcoin em si diminuiu de forma mais modesta — em 10,6%.
Core Scientific e TeraWulf já obtêm mais de colocation e HPC do que da mineração de Bitcoin. Na Core Scientific, a receita da hospedagem de equipamentos para IA atingiu US$ 136,7 milhões, contra US$ 27,5 milhões da mineração. A TeraWulf transferiu 71% de sua receita para computação de alto desempenho. As demais empresas — Riot, MARA, Bitdeer — ainda se apegam às criptomoedas, mas também estão testando novas direções.
Não se trata apenas de uma mudança de negócio. Capital e eletricidade fluem para onde a margem é maior. A mineração exigia enormes investimentos em equipamentos que rapidamente se tornam obsoletos, enquanto a computação de IA oferece contratos de longo prazo e demanda estável. Empresas como Cango e Keel Infrastructure já estão desmontando sua capacidade nos EUA, preparando locais para data centers.
Para o investidor e o detentor comum de criptomoedas, a lição é simples: o hashrate do Bitcoin agora depende não apenas do preço da moeda, mas também de formas alternativas de monetizar a energia. Quando a IA oferece um retorno melhor, os mineradores direcionam sua capacidade exatamente para lá.


