3 de novembro de 2026, em Brasília, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e a diretora executiva Ana Toni apresentaram dois roteiros internacionais. Eles visam acelerar a transição dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos e deter o desmatamento e a degradação florestal até 2030.
Esses documentos baseiam-se nos resultados do primeiro Balanço Global do Acordo de Paris, adotado na COP28 em Dubai em 2023. Foram anunciados na sessão plenária final da COP30 em Belém e inspirados no apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para passar das declarações à ação real.
Os roteiros são contribuições voluntárias e não negociáveis da presidência da COP30. Propõem caminhos práticos para os países: de políticas nacionais a investimentos e resultados mensuráveis. Ao mesmo tempo, levam em conta o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.
O primeiro roteiro concentra-se na eliminação justa, ordenada e equitativa dos combustíveis fósseis. No seu centro está a abordagem "Prontidão Belém", que avalia a vulnerabilidade dos países segundo três pilares: demanda de energia, oferta e economia como um todo. Os países podem definir seus "arquétipos" e escolher as alavancas adequadas.
O segundo roteiro diz respeito às florestas — das tropicais às boreais. Destaca cinco áreas de ação: conservação, gestão sustentável, combate à degradação, combate ao desmatamento e restauração. Propõe-se um processo em cinco etapas: diagnóstico, alinhamento de políticas, definição de metas, implementação com monitoramento e avaliação.
O financiamento continua sendo a lacuna principal. Segundo o UNEP, os investimentos anuais em florestas devem crescer de 84,5 bilhões de dólares em 2023 para mais de 300 bilhões até 2030. Atualmente, a maior parte vem dos orçamentos nacionais dos países em desenvolvimento.
Ambos os documentos enfatizam: os acordos já existem, agora é preciso passar à implementação. Como os países usarão esses instrumentos na prática?
O lançamento ocorreu no escritório do PNUD no Brasil, parceiro da presidência. Os roteiros convidam as futuras presidências da COP, incluindo a COP31 em Antália, a dar continuidade ao diálogo e avaliar o progresso.
