Comédia francesa «Entre o céu e a terra» / L’Âme idéale (2025) começa com uma ideia bastante ousada.
Filmes com o título em russo «Entre o céu e a terra» existem muitos, por isso esclareçamos logo: trata-se precisamente de um recente filme francês de 2025 — uma comédia romântica L’Âme idéale (You Found Me).
O homem morreu.
Mas aceitar esse fato ele não quer de jeito nenhum.
Pois é, uma ótima base para uma comédia. De morrer de rir. 😆
Embora, na verdade, o filme não seja nada sobre piadas com a morte. É uma história muito à francesa, calma, leve e ao mesmo tempo um pouco triste, na qual a comédia convive constantemente com o melodrama, o drama e reflexões inesperadamente sérias sobre a vida.
A protagonista Elsa possui um dom bastante duvidoso do ponto de vista de uma vida tranquila: ela vê e ouve pessoas que acabaram de morrer.
Elas ainda não tiveram tempo de entender o que aconteceu. Algumas ficam com raiva, outras se agarram à vida anterior, outras não conseguem deixar os entes queridos, e algumas simplesmente precisam terminar algo importante.
E Elsa se torna para elas uma espécie de guia — ajuda a aceitar o que aconteceu e a seguir em frente.
Só que com a vida pessoal de Elsa as coisas não são tão simples. Nem todo parceiro está disposto a se aproximar tranquilamente de uma pessoa que vê e ouve os mortos. Para alguns isso é uma esquisitice, para outros é uma parte pesada demais do mundo dela, e para a própria Elsa é mais um motivo pelo qual a intimidade se torna mais difícil do que parece.
É justamente por isso que o filme vai se tornando pouco a pouco muito mais profundo do que parece no início.
Ele muda de humor o tempo todo. Agora mesmo era quase uma comédia francesa leve — e eis que já é um drama. Mais alguns minutos — melodrama. Depois o humor reaparece, e em seguida vem uma conversa sobre amor, perda, medo e sobre o que significa realmente aceitar a vida tal como ela é.
Ao mesmo tempo, o filme não se transforma em uma pesada lição de filosofia. Ele permanece muito europeu na entonação: sem pressa, caloroso, um pouco irônico, mas de jeito nenhum entediante.
E perto do final fica claro que, na verdade, não estamos diante tanto de um filme sobre a morte.
É um filme sobre o amor.
Sobre como é fácil se agarrar ao que já não existe. E como às vezes é mais difícil permitir-se viver adiante.
E não deixe de esperar pelo final.
Porque ali aparece, talvez, a ideia principal de toda a história. Ela soa mais ou menos assim:
— Você se conformou com a morte, Oscar?
— E você se conformou com a vida, Elsa?
E depois disso o filme inteiro de repente se condensa em um pensamento muito simples e muito bonito:
aceitar a morte às vezes é mais fácil do que aceitar de verdade a própria vida.
Um cinema francês tranquilo, bonito e inesperadamente profundo, que a princípio promete uma comédia sobre um morto que não quer reconhecer o óbvio e termina como um belíssimo melodrama sobre os vivos.
De Gaya — 8.1/10
E é aqui que fica claro por que o filme tem uma avaliação tão alta.
Ele não termina junto com os créditos finais. Depois dele, ainda por um dia ou dois você se pega voltando com o pensamento a cenas, falas e à própria ideia de aceitação — da morte, da vida, do amor, das perdas, de si mesmo.
É um filme filosófico e emocional sobre sentimentos. Sem grandes declarações, mas com aquele efeito raro em que a história realmente toca as cordas da alma.
Por isso os nossos 8.1/10 — não apenas pelo enredo, pela atuação ou pela atmosfera.
Mas pelo fato de o filme deixar uma marca.
E, talvez, seja justamente isso que distingue um filme simplesmente bom daquele que permanece com você por algum tempo depois de assisti-lo.
E se as filmagens fossem um pouco mais "consistentes", a nossa nota seria ainda mais alta, porque com o roteiro aqui está tudo em ordem.
Boa sessão! 📽🍿🍧🍦🍨🎞🎬



