Em um mundo onde a criptomoeda prometia liberdade das correntes bancárias, a Tailândia lembra: mesmo os ativos digitais não escaparão das regras habituais do mundo financeiro. Em 2 de setembro de 2026, a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) do país aprovou oficialmente as regras da Travel Rule para operadores de ativos digitais. A partir de 27 de fevereiro de 2027, eles são obrigados a coletar e transmitir dados sobre as partes de cada transação.
Os novos requisitos, estabelecidos no aviso da SEC No. SorThor. 9/2569, aplicam-se a todas as transferências sem exceção. Para valores acima de 30 000 baht (cerca de 1000 dólares), informações adicionais devem ser fornecidas: província ou cidade do destinatário, país e número de registro da entidade legal. Os operadores devem verificar se o cliente realmente controla a carteira de autocustódia, realizar due diligence das contrapartes e armazenar os dados por pelo menos cinco anos, com acesso rápido pelos reguladores nos primeiros dois anos.
O objetivo é claro: prevenir lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo e crimes tecnológicos. As regras foram desenvolvidas em conjunto com o Escritório de Combate à Lavagem de Dinheiro (AMLO) e estão em conformidade com os padrões da FATF. Como observado pela SEC, são medidas temporárias até a adoção de normas completas do AMLO. Os infratores enfrentam revogação da licença.
Para o usuário comum, isso significa o fim do anonimato habitual em saques para exchanges ou entre plataformas. Transferências para carteiras de autocustódia exigirão confirmação de propriedade, complicando os esquemas habituais. Corretoras e custodiantes terão seis meses para configurar sistemas de transmissão de dados e monitoramento — uma tarefa nada fácil, especialmente com a verificação de endereços não custodiais.
Imagine um rio: antes, a cripto fluía livremente, como uma corrente de montanha, contornando obstáculos. Agora, a Tailândia instala comportas — a informação sobre cada gota deve acompanhar o fluxo. Isso não vai parar o rio, mas o tornará transparente para aqueles que monitoram o nível da água. No final, a cripto se aproxima cada vez mais das transferências tradicionais: conveniência e legitimidade aumentam, e o preço é a perda de parte da privacidade.
No longo prazo, tais medidas integram os ativos digitais ao sistema financeiro global, mas ao mesmo tempo aumentam a dependência dos reguladores. Os usuários devem planejar com antecedência como armazenar e mover fundos para não enfrentar barreiras inesperadas em 2027.
