Cientistas da Universidade de Konstanz descobriram em bactérias do solo uma enzima capaz de decompor tanto certos tipos de bioplástico quanto antibióticos da classe das penicilinas.
Os pesquisadores enterraram tiras de bioplástico LCAP — um poliéster alifático de cadeia longa feito de óleos vegetais — no solo florestal do jardim botânico da universidade por mais de um ano.
Sob o microscópio, pequenas depressões de formato bacteriano apareceram no material — um sinal claro de que os micróbios estavam ativamente "comendo" a superfície.
O sequenciamento de DNA dos micróbios que vivem no plástico permitiu isolar a enzima LCPH1. Sua estrutura lembra as beta-lactamases — proteínas que as bactérias usam para inativar a penicilina.
O centro ativo da enzima tem uma "boca" excepcionalmente larga em forma de Pac-Man, capaz de capturar tanto longas cadeias de plástico quanto moléculas de antibióticos.
Em testes de laboratório, a LCPH1 decompôs com sucesso o bioplástico em monômeros e, ao mesmo tempo, destruiu penicilina e ampicilina, privando-as da capacidade de matar bactérias.
"A estrutura da enzima lembra tanto esterases quanto beta-lactamases, que quebram o anel beta-lactâmico da penicilina, tornando as bactérias resistentes aos antibióticos", observou o autor principal do estudo, Harry Lerner.
O autor sênior David Schleheck acrescentou que o plástico apareceu no meio ambiente em quantidades significativas há apenas 50–75 anos, e os micróbios já estão começando a se adaptar à sua decomposição mais rápido do que o esperado.
O trabalho foi publicado na revista The ISME Journal. Como essa descoberta afetará a luta contra a resistência bacteriana aos antibióticos a longo prazo?

