20 de outubro: Dia do chef e sabores que definiram novos cozinheiros 2026

Editado por: Svitlana Velhush

O aroma do achiote que impregna a paleta de porco se mistura à nota ácida da laranja e à fumaça da folha de bananeira — é exatamente esse cheiro que leva Irving Kupul de volta aos cafés da manhã em família em Mérida. A cochinita pibil, para ele, não é apenas um prato, mas um ponto de partida: a técnica do pib, em que a carne cozinha por horas sob a terra, guarda a memória dos antepassados e da comunidade que até hoje se reúne ao redor do fogão.

O solo de Yucatán, vermelho e calcário, dá ao achiote sua cor intensa e profundidade terrosa, e as raças locais de porco, a gordura delicada que absorve a marinada. Historicamente, esse prato surgiu no cruzamento das tradições maias com a influência espanhola: o porco chegou com os conquistadores, e a técnica de assar em cova é antiga. Hoje, Kupul inclui a cochinita no menu degustação, preservando a técnica, mas acrescentando seu próprio acento — respeito ao produto local sem enfeites desnecessários.

Eric Martínez lembra do churrasco não como comida semanal, mas como uma rara festa de família: a carne que cozinhava na cova reunia todos à mesma mesa. Mais tarde, trabalhando em Vallarta, ele descobriu o atum — um produto cujas possibilidades parecem infinitas. Cada vez que o prepara de modo diferente, surge a pergunta: quantos matizes pode dar uma mesma pesca, se considerarmos a estação, o método de captura e até o estado do mar?

Pablo Luque vê no peixe não apenas um ingrediente, mas toda uma cadeia: das famílias de pescadores em Veracruz, cujos filhos estudam com o dinheiro da pesca, às questões de rastreabilidade e sustentabilidade. Escolher o peixe, para ele, é uma conversa sobre a economia do litoral e sobre como preservar os recursos marinhos para as próximas gerações. Vanisa Blue, por sua vez, continua a se surpreender com o tomate comum: sua simplicidade esconde complexidade, e a tarefa do cozinheiro é não refazê-lo, mas compreender e ressaltar sua essência por meio da técnica correta.

Freddy Monteros descobriu o xerez em todas as suas manifestações — do fino seco aos doces oloroso. As notas de nozes e levedura desse vinho acrescentam profundidade aos pratos, especialmente aos ligados ao mar. Lorea Olavarri certa vez provou o vinagre balsâmico branco numa loja de San Miguel de Allende e percebeu como ele intensifica o sabor, dá brilho e um leve dulçor no final. Matteo Zega encontrou no garum, molho fermentado, uma ferramenta que mudou sua abordagem à construção de sabores: agora ele está presente em quase todos os pratos do menu.

Essas descobertas — das lembranças de família aos fermentos sutis — mostram como economia, tradições e experiência pessoal se entrelaçam na cozinha contemporânea. Alguns chefs preservam técnicas antigas, outros experimentam novos ingredientes, mas todos trabalham com o que sua terra e sua história lhes oferecem. Em 2026, quando as cadeias globais de abastecimento mudam, são justamente essas histórias pessoais que ajudam a manter a conexão com o lugar e a comunidade.

Para sentir esses sabores em seu contexto verdadeiro, vale visitar os mercados de Yucatán ou de Veracruz na estação em que os produtores locais trazem produtos frescos, ou passar pelos restaurantes onde os Best New Chefs 2026 continuam seus experimentos. Onde a técnica e a memória se encontram à mesma mesa, a comida deixa de ser apenas comida — torna-se um mapa do lugar e das pessoas.

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Fontes

  • Día Internacional del Chef: los sabores que marcaron a los Best New Chefs 2026

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