Há projetos que descobrimos por acaso e que, de repente, nos impedem de tirar os olhos do ecrã. A série britânica A Outra Irmã Bennet é precisamente um desses casos. Mais do que uma simples adaptação, trata-se de um verdadeiro sopro da era da Regência, filtrado pela alma de uma mulher que finalmente decidiu sair da sombra.
O enredo que cativa
Mary Bennet é a "patinho feio" de Orgulho e Preconceito que todos pareciam ter esquecido. A terceira irmã, nem tão deslumbrante como Jane, nem tão perspicaz como Elizabeth. Contudo, foi a ela que os criadores deram voz, um rumo e... amor. A sua jornada da pacata Meryton até à vibrante Londres e ao enevoado Lake District é o relato de como alguém se descobre ao deixar de se esconder atrás das páginas dos livros.
E o que é surpreendente: o enredo está em constante evolução. Cada episódio não é uma repetição, mas sim uma nova etapa. Primeiro, habituamo-nos ao ritmo, aos bailes formais e aos olhares cautelosos, e depois — pumba! — surge uma reviravolta inesperada que nos prende por completo. O público destaca precisamente isso nas críticas: "Na segunda metade da série, fiquei colada ao ecrã", "Não se percebe bem como, mas é impossível parar de ver". É aquele tipo de história que se desenrola sem pressa, mas com uma subtileza tal que se torna impossível resistir.
Atmosfera e elenco
A BBC provou mais uma vez que domina a fórmula: figurinos de época, humor inglês, sentimentos à flor da pele e emoções genuínas estão todos presentes. Lucinda Dryzek no papel de Mary, juntamente com Donal Finn, Indira Varma e Richard E. Grant, estão todos impecáveis. A fotografia é envolvente, a atmosfera é palpável e o elenco foi escolhido com mestria.
Uma citação que vale por mil palavras
Existe uma cena na série que capta na perfeição o seu espírito — contido, irónico e comovente:
— Querido, a nossa filha pôs os óculos. — Querida, eu também uso óculos. — Mas ela é uma rapariga. — Ainda assim, ela também precisa de ver.
Toda a essência da série reside neste breve diálogo. Sobre o direito de uma jovem ver o mundo. De ter a sua própria opinião. De seguir o seu caminho. E de ser, ela própria, vista.
Veredito
A Outra Irmã Bennet é uma série excelente. Acolhedora, inteligente e com um argumento em constante progressão que mantém o interesse do primeiro ao último episódio. Em vez de nos atirar as emoções à cara, ela revela-as com delicadeza. E é aí que reside o seu encanto.
Se gosta de Orgulho e Preconceito, de dramas britânicos ou apenas de boas histórias sobre mulheres fortes, não hesite em ver. Não se vai arrepender.
As classificações falam por si: IMDb — 8.3, Kinopoisk — 7.98, Gaya — 8.2. Entretanto, os espectadores já a batizaram como uma "lufada de ar fresco para intelectuais".



