De acordo com um estudo publicado na revista Advances in Climate Change Research em junho de 2026, os ciclones extratropicais — grandes sistemas meteorológicos que transportam calor e humidade para a Antártida — desempenham um papel crucial no balanço de massa do manto de gelo. Os cientistas usaram modelos climáticos para rastrear como o aquecimento e a diminuição da altitude do manto de gelo afetam o comportamento dos ciclones e a relação entre a perda de gelo e o seu acúmulo devido à precipitação.

De acordo com a modelagem, à medida que as temperaturas aumentam, os ciclones deslocam-se para mais perto dos polos. Nas fases iniciais, isto leva a um aumento da precipitação, que ocorre predominantemente na forma de neve, o que adiciona massa ao manto de gelo e compensa parcialmente o seu derretimento. No entanto, com o aquecimento contínuo e a diminuição da superfície do manto de gelo, os ciclones trazem ar mais quente com mais frequência, e a precipitação transforma-se em chuva, aumentando o escoamento superficial e diminuindo o efeito protetor.
O estudo sublinha que as mudanças na circulação atmosférica, nos tipos de precipitação e nos processos de derretimento superficial estão a tornar-se fatores importantes para a avaliação da futura contribuição da Antártida para a subida do nível do mar. A consideração do comportamento evolutivo das tempestades permite obter dados mais precisos para previsões a longo prazo e estratégias de adaptação.
A fonte — a Iniciativa Internacional da Criosfera e do Clima (ICCI) — é um resumo conciso de um artigo científico baseado em simulações climáticas. Os autores observam que o aumento inicial da neve pode retardar a perda de gelo, mas este tampão enfraquece à medida que as condições mudam. Estas conclusões baseiam-se em modelos, e não em observações diretas ao longo de todo o período, pelo que as formulações permanecem cautelosas: "pode enfraquecer", "à medida que o aquecimento continua".
No contexto da fonte, o desvio dos ciclones não é visto como um evento isolado, mas como parte de uma cadeia de processos onde a dinâmica atmosférica está diretamente ligada ao estado do manto de gelo. A perspetiva dos autores foca-se na necessidade de incluir estes mecanismos nos cálculos do nível do mar para evitar a subestimação dos riscos.
Para o leitor, isto significa que mesmo pequenas mudanças nos sistemas meteorológicos habituais podem afetar significativamente as mudanças em grande escala. A consideração de tais detalhes ajuda a compreender melhor como os tampões naturais respondem ao aquecimento contínuo.

