Uma tartaruga-de-kemp chamada Pancake regressou ao Atlântico após meses de reabilitação

Editado por: Svitlana Velhush

A tartaruga marinha Pancake retorna ao oceano após se recuperar da hipotermia.

Em julho de 2026, uma multidão reuniu-se na praia de Coney Island, em Nova Iorque, a gritar um único nome: «Pancake, Pancake, Pancake!». Ao som destes gritos, uma jovem tartaruga-de-kemp — uma das mais raras do planeta — deslizou para as ondas do Atlântico. A sua história começou no outono de 2025, em Cape Cod, no Massachusetts, onde o animal, debilitado por um choque térmico devido ao frio, deu à costa.

A hipotermia é um estado em que a temperatura da água desce abaixo do limite crítico e as tartarugas perdem a capacidade de nadar e de regular o calor. Pancake, cuja idade é estimada entre 2 e 5 anos, pesava na altura cerca de cinco quilos. Foi resgatada por voluntários da Massachusetts Audubon Society, transferida para o New England Aquarium e, posteriormente, levada para o centro de reabilitação da Atlantic Marine Conservation Society, em Long Island. Lá, a tartaruga foi alimentada com camarões e moluscos, recuperando gradualmente a força e os instintos.

Ao longo de sete meses, Pancake ganhou peso até atingir 11 libras e começou a perseguir presas com confiança na piscina. Antes da libertação, foi colocado um transmissor de satélite na carapaça, que permitirá seguir os seus movimentos durante até 90 dias. Mais tarde, os sinais mostraram que a tartaruga se estabeleceu nas baías da Costa Sul, uma zona importante para os espécimes jovens da espécie.

O caso de Pancake não é único. Nessa temporada, o centro ajudou 25 tartarugas e, desde 2020, já foram 125. Estes programas demonstram como os esforços locais das organizações, financiados também por fundos estatais, são capazes de devolver à natureza animais afetados pelas alterações climáticas e pela pressão antropogénica. Cada libertação bem-sucedida fortalece a população, cuja nidificação se concentra numa área restrita do Golfo do México.

A história de Pancake recorda-nos que até um único espécime salvo se torna parte de uma rede mais vasta de observação e proteção. Os dados de satélite ajudam a compreender as rotas migratórias e a identificar novas ameaças, enquanto as libertações públicas envolvem as pessoas na causa da conservação das espécies. Histórias como esta mostram que o trabalho sistemático dos centros de reabilitação produz resultados mensuráveis onde as condições naturais se tornam cada vez menos previsíveis.

Cada espécime libertado da espécie de Kemp não é apenas o regresso de uma tartaruga, mas um contributo para a resiliência de todo o ecossistema do Atlântico.

É tão emocionante quando as pessoas gritam «Pancake! Pancake! Pancake!»

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Fontes

  • An Endangered Kemp’s Ridley Sea Turtle Named Pancake Makes a Triumphant Return to the Ocean After Months of Rehabilitation

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