Ao amanhecer na costa, um caranguejo surge subitamente e dispara de lado, mantendo o corpo paralelo à linha da maré com as garras junto à carapaça. Esse movimento, embora pareça desajeitado, é na verdade uma estratégia extremamente eficiente, moldada pela evolução ao longo de cerca de duzentos milhões de anos. Um novo estudo, baseado na análise de fósseis e dados genéticos, permite traçar exatamente como esse andar se consolidou na maioria das espécies modernas.
Segundo os cientistas, os ancestrais dos caranguejos habitavam os oceanos do Mesozoico, onde o clima e a composição da água mudavam constantemente, enquanto o número de predadores aumentava. Gradualmente, desenvolveram patas localizadas nas laterais do corpo, o que tornou o deslocamento lateral a forma mais natural e econômica de se mover. Provavelmente, tal adaptação ajudava a se enterrar mais rápido na areia ou no lodo e a mudar de direção instantaneamente em caso de perigo, favorecendo os indivíduos com melhor desempenho nessa locomoção.
Fazendo uma analogia com um carro que, em uma estrada estreita, teria mais facilidade em se mover de lado do que em fazer uma manobra de retorno, os caranguejos otimizaram sua anatomia para a vida entre rochas, algas e tocas. O movimento em linha reta exigiria uma reestruturação completa dos membros e seria menos vantajoso nas condições da zona costeira. Assim, a natureza estabeleceu o andar lateral como a solução mais prática para a sobrevivência.
No entanto, nem todos os crustáceos são iguais: algumas espécies tropicais mantiveram a capacidade de se mover para frente, embora isso seja uma exceção. A pesquisa destaca que, nos caranguejos verdadeiros (Brachyura), o deslocamento lateral tornou-se uma característica dominante, diferenciando-os de lagostas ou camarões, que preferem outros modos de locomoção.
Nos ecossistemas marinhos, os caranguejos atuam como zeladores, processando restos orgânicos e controlando a população de pequenos invertebrados. Sua atividade contribui para a aeração do substrato, melhora o ciclo de nutrientes e sustenta a produtividade das águas costeiras, desde manguezais até recifes de coral.
Atualmente, com as zonas costeiras sob pressão do aquecimento dos oceanos, da acidificação das águas e da atividade humana, compreender os mecanismos evolutivos ajuda a avaliar a resiliência desses animais a novas condições. A preservação de seus habitats continua sendo uma condição essencial para manter o equilíbrio nas comunidades marinhas.
O estudo sobre o motivo pelo qual os caranguejos andam de lado nos recorda da sutil conexão entre forma e função na natureza e nos incentiva a cuidar melhor dos ecossistemas marinhos.



