Em julho de 2026, dois pesquisadores da South Pacific Pocket Guide chegaram a Majuro, passaram dez dias no local, visitaram 11 hotéis e mais de quarenta estabelecimentos, e depois lançaram um recurso com 136 artigos. O lançamento oficial ocorreu em agosto, e não é apenas mais um site de viagens.
A República das Ilhas Marshall foi por muito tempo considerada um lugar onde "não há nada para fazer". Até os moradores locais às vezes repetiam essa frase. Agora, no novo guia, há um artigo "101 coisas para fazer nas Ilhas Marshall". Entre elas estão a construção tradicional de canoas, a tecelagem de pandano, a navegação em canoas autênticas e a degustação de pratos locais que não existem em nenhum outro lugar do Pacífico.
O projeto nasceu de uma parceria entre o Escritório de Comércio, Investimento e Turismo (OCIT) e o programa australiano P4A, com o apoio da EDA americana. Durante dez dias de trabalho de campo, a equipe coletou informações sobre transporte, alimentação, artesanato e serviços nos atóis externos. Uma nova visita está planejada para novembro, a fim de cobrir mais ilhas remotas.
O número 136 não é apenas um volume. É uma tentativa de dar a um país remoto uma face digital que antes não existia. Turistas que planejam uma viagem agora podem encontrar informações verificadas em um único recurso, e os operadores locais podem ganhar visibilidade sem intermediários. Segundo Loretta Laurie deBrum, da OCIT, isso é um investimento nas pessoas e no crescimento de longo prazo do setor.
A peculiaridade da abordagem é a ênfase na autenticidade. Os pesquisadores notaram que as Ilhas Marshall "se subestimam". O guia registra exatamente as práticas que distinguem o arquipélago: técnicas únicas de tecelagem, construção de canoas e culinária à base de pandano. As publicações sociais da equipe durante a visita alcançaram quase um milhão de visualizações, mostrando que há interesse por esses detalhes.
Em um contexto mais amplo, este é um passo de um pequeno país insular em direção ao turismo sustentável. A ferramenta digital ajuda a distribuir o fluxo de visitantes, apoiar negócios locais e preservar práticas culturais que podem ser facilmente perdidas com o desenvolvimento em massa. A plataforma será atualizada regularmente e, no futuro, os operadores poderão obter sites gratuitos para reservas online.
O novo guia não é publicidade, mas uma ferramenta que permite às Ilhas Marshall contar sua própria história antes que outros comecem a contá-la.

