As políticas ambientais sistémicas da União Europeia estão a produzir resultados tangíveis: os níveis de poluição atmosférica no continente atingiram mínimos históricos de vários anos. De acordo com os dados mais recentes das agências especializadas, a Europa está a dar passos firmes no sentido de cumprir as metas climáticas e ambientais, embora a situação nas grandes metrópoles exija uma monitorização adicional.
Indústria e transportes: fatores de redução
No seu mais recente relatório, o Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus (CAMS) registou uma redução sistemática das emissões de dióxido de enxofre (SO2) e de óxidos de azoto (NOx). Desde 2010, a concentração destas substâncias tem diminuído, em média, entre 3% e 5% anualmente.
Os especialistas do CAMS salientam que este declínio significativo se deve a dois fatores cruciais:
- Normas industriais mais rigorosas: a modernização das fábricas e a implementação de sistemas de filtragem sob a alçada da Diretiva de Emissões Industriais da UE.
- Transformação do setor automóvel: a transição progressiva para normas ambientais mais estritas (como o padrão Euro 6 e superiores), a par da otimização das cadeias logísticas.
Dados das estações de monitorização: sucessos e pontos cegos
As conclusões do Copernicus estão em total sintonia com a avaliação abrangente da qualidade do ar realizada pela Agência Europeia do Ambiente (AEA). Segundo os resultados de uma auditoria recente, a grande maioria das estações de monitorização nos países da UE demonstra o cumprimento dos limites de concentração permitidos para os principais poluentes.
Contudo, os ambientalistas apelam à objetividade: o problema não está totalmente resolvido. Em cerca de 20% das estações de monitorização, os níveis de poluição continuam a exceder as rigorosas normas europeias. Geralmente, tratam-se de pontos críticos — grandes metrópoles com elevada densidade de tráfego e aglomerações industriais, onde persiste o risco de ultrapassar os limites de dióxido de azoto (NO2) e de partículas em suspensão (PM2.5 e PM10).
Um ponto de viragem no setor dos transportes
O relatório dedica especial atenção à pegada de carbono do setor dos transportes. Durante muito tempo, este foi o único setor da economia europeia cujas emissões de gases com efeito de estufa cresceram de forma constante em relação ao ano de referência de 1990. No entanto, o cenário começa a mudar drasticamente graças à eletrificação em massa da frota automóvel e ao desenvolvimento da infraestrutura de carregamento de veículos elétricos.
De acordo com as estimativas do CAMS, em 2024 o volume de emissões de CO2 provenientes dos transportes na Europa atingiu 1,05 mil milhões de toneladas. Este valor é 5% inferior aos picos registados em 2019 (1,1 mil milhões de toneladas), o que sinaliza o início de uma tendência sustentada de descarbonização da mobilidade.
Previsões e perspetivas
Apesar da dinâmica positiva, os reguladores europeus sublinham que ainda é cedo para baixar a guarda. Para alcançar os objetivos do Pacto Ecológico Europeu (European Green Deal), é necessária uma maior modernização das infraestruturas urbanas e o abandono dos combustíveis sólidos nos sistemas de aquecimento doméstico.
A Europa continua a avançar firmemente na melhoria da qualidade do ar, graças aos esforços constantes para reduzir as emissões dos transportes, da indústria, do aquecimento doméstico e de outros setores fundamentais, destacou Laurence Rouil, diretora do Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus (CAMS).
Segundo a responsável, embora a perspetiva ambiental global para o continente pareça encorajadora, os objetivos finais de emissões nulas exigirão que os países da UE mantenham o ritmo acelerado das reformas ecológicas durante a próxima década.



