De 20 a 24 de maio de 2026, em Amersfoort, nos Países Baixos, a artista britânica Kirstie Macleod apresentará pela primeira vez o seu projeto "The Red Dress Project" durante o Textiel Festival 2026. Ao longo de catorze anos, este magnífico vestido vermelho foi bordado à mão por 380 participantes de 51 países, tornando-se um arquivo global de memória, artesanato e histórias pessoais.
Concebido em 2009, o projeto começou com uma distribuição global: a artista desenhou o molde de uma silhueta clássica e enviou os seus fragmentos para os quatro cantos do mundo. Cada participante teve a liberdade de bordar no tecido o seu próprio padrão, símbolo ou história pessoal, utilizando técnicas transmitidas de geração em geração na sua cultura. Assim, linha a linha e país após país, o vestido ganhou forma e significado. Atualmente, a sua tela revela códigos culturais que vão da Escócia ao Japão, do Brasil à África do Sul. Um total de 380 artesãos, na sua maioria mulheres, dedicaram centenas de milhares de horas de trabalho manual, transformando uma peça de vestuário num diário coletivo que reflete emoções e acontecimentos, tanto íntimos como mundiais.
Macleod esbate as fronteiras entre a alta arte e o artesanato popular. A cor vermelha simboliza a vida, a paixão e a união, enquanto os fragmentos unidos formam uma metáfora de uma comunidade global onde as diferenças fortalecem o todo em vez de o destruir.
No Museum Flehite, o vestido é exibido rodeado por materiais de arquivo: cartas, esboços, fotografias, gravações de voz e entrevistas em vídeo dos participantes. A exposição está organizada de forma a que o visitante possa acompanhar o percurso desde um padrão individual até à tela comum.
Em 2026, o mundo procura novas formas de solidariedade e interligação. O "The Red Dress Project" recorda-nos que a arte pode ser mais do que um objeto de contemplação, funcionando como uma ferramenta de união que demonstra a capacidade de criarmos beleza em conjunto.
Após o encerramento da exposição, o vestido continuará a sua viagem. E cada pessoa que tiver o privilégio de visitar a mostra poderá perguntar-se: o que estou eu a bordar, neste exato momento, na tela comum da realidade coletiva?



