Iene fraco impulsiona empresas japonesas para o Bitcoin e XRP

Editado por: Yuliya Shumai

Quando a moeda nacional perde valor, até as empresas mais conservadoras começam a procurar alternativas aos tradicionais depósitos bancários. No Japão, a desvalorização do iene já não é apenas uma dor de cabeça macroeconómica; tornou-se o catalisador de uma mudança real nas finanças corporativas.

De acordo com a SBI VC Trade, a procura de Bitcoin e XRP por parte das empresas cresceu visivelmente. As firmas utilizam criptomoedas não só para cobertura de risco, mas também em programas de recompensas para acionistas: em vez de brindes tradicionais ou dividendos, distribuem tokens. O serviço SBIVC for Prime regista um aumento de clientes corporativos, e o número total de contas registadas nas plataformas VCTRADE e BITPOINT ultrapassou os dois milhões — o dobro do verificado há um ano.

A razão não é apenas a volatilidade do iene. Durante anos, as empresas japonesas mantiveram reservas sobretudo em numerário e obrigações, confiando na estabilidade do sistema bancário. Hoje, com a taxa de câmbio do iene face ao dólar sob pressão, as empresas procuram ativos que consigam preservar o poder de compra. Nesse sentido, o Bitcoin e o XRP não surgem como uma aposta especulativa, mas sim como um instrumento de diversificação — apesar de terem os seus próprios riscos.

Em paralelo, cresce o interesse por stablecoins. A SBI VC Trade foi a primeira no Japão a listar o USDC e, em junho de 2026, acrescentou o RLUSD da Ripple e o seu próprio JPYSC — um token indexado ao iene. Surgiram serviços de empréstimo garantidos por stablecoins. Isto já não é um simples jogo de cripto, mas uma tentativa de criar um instrumento de gestão de liquidez mais flexível dentro de um ambiente regulamentado.

A fusão da SBI VC Trade com a BitPoint Japan em abril de 2026 e a futura integração total das marcas até ao fim do ano deverão reduzir custos e uniformizar os serviços. Para os clientes corporativos, isto significa um acesso mais prático a novas ferramentas sem necessidade de mudar de contrapartes habituais.

Por trás da atividade externa, esconde-se um processo mais profundo: as empresas japonesas estão a rever o próprio conceito de "ativo seguro". Se antes o iene e as obrigações do Estado eram a norma, agora os instrumentos digitais ganham lugar nas carteiras. Não se trata de abandonar tradições, mas de uma adaptação forçada a um mundo onde nem mesmo uma economia forte garante uma moeda forte.

Para o investidor privado, a lição é simples: quando as forças macroeconómicas mudam as regras do jogo para as empresas, convém estar atento à forma como essas regras afetam as próprias poupanças.

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Fontes

  • Bitcoin, XRP draw Japanese firms as weak yen drives treasury diversification

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