No mensageiro com um bilhão de usuários surgiu a carteira não custodial Money integrada para o token Gram. Antes, a função estava disponível apenas para alguns privilegiados, agora ela está sendo amplamente implementada: basta receber uma transferência para que a seção «Money» apareça no aplicativo.
Os usuários poderão armazenar e enviar Gram diretamente nos chats, comprar presentes digitais e nomes colecionáveis. As transferências são prometidas como instantâneas e sem taxas de rede. Para negociação e investimento em mais de 300 ativos, permanece um aplicativo separado, o Walt. Gram é o Toncoin renomeado, o blockchain TON manteve o nome.
O preço do Gram após a notícia subiu cerca de 9 % até 1,56 dólar, e a capitalização ultrapassou 4,12 bilhão. O mercado reagiu rapidamente, mas por trás do crescimento não está apenas o hype. O Telegram transforma a troca habitual de mensagens em um canal para valores, contornando bancos e intermediários.
A não custodialidade é a diferença fundamental. As chaves permanecem com o usuário, e não com a plataforma. Isso reduz os riscos de congelamento de fundos por parte da empresa, mas transfere toda a responsabilidade pela segurança ao proprietário. Uma seed perdida — e as economias desaparecem para sempre, sem possibilidade de recuperação pelo suporte.
A divisão de papéis entre Money e Walt parece lógica: transferências simples e compras de presentes — no mensageiro, operações complexas — em um aplicativo separado. Assim, o Telegram evita a atenção excessiva dos reguladores à parte de negociação, mantendo ao mesmo tempo o controle sobre os pagamentos cotidianos dentro de seu ecossistema.
Para o usuário comum, isso parece uma maneira conveniente de enviar um token a um amigo ou comprar um nome colecionável sem sair do chat. O dinheiro deixa de ser algo separado da comunicação — ele se torna parte do fluxo de mensagens. Mas por trás dessa simplicidade está uma velha lição: quanto mais fácil o acesso ao dinheiro, mais importante é entender quem de fato o possui.
A integração de uma carteira não custodial em um mensageiro de um bilhão de pessoas muda a visão habitual sobre onde termina a comunicação e começa a autonomia financeira.

