Num mundo onde as mercadorias atravessam fronteiras em dias, mas o dinheiro leva semanas, a velocidade dos pagamentos tornou-se há muito um travão oculto nas transações. O primeiro vice-presidente do Sber, Alexander Vedyakhin, numa coluna no SberPro, apontou precisamente para isto: desde 1 de setembro de 2026, as empresas russas dispõem de uma forma legal de pagar com criptomoeda por exportações e importações, e isto não é uma substituição dos bancos, mas sim um canal adicional.
Segundo Vedyakhin, ao escolher um parceiro, agora é importante não apenas a qualidade da mercadoria e a logística, mas também a rapidez com que o dinheiro será transferido. As transferências tradicionais são frequentemente demoradas, forçando as partes a negociar o pagamento ainda na fase de conversações. A blockchain, por sua vez, conclui a transação em minutos — e isto afeta diretamente a economia: os fundos chegam mais cedo, o envio começa mais rapidamente e o volume de negócios acelera.
No entanto, a velocidade traz também novos desafios. Vedyakhin sublinha a volatilidade: enquanto o pagamento em cripto é processado, desde a fixação do preço até à execução, a taxa de câmbio pode alterar-se, e toda a transação pode perder o sentido. É o mesmo risco que uma posição cambial aberta, apenas numa roupagem digital. As empresas terão de utilizar stablecoins ou fazer cobertura de risco (hedging) antecipadamente — caso contrário, o benefício da velocidade é consumido pelas flutuações.
Ao mesmo tempo, os ativos digitais não anulam o controlo cambial nem a verificação das contrapartes. O Sber posiciona a criptomoeda como uma ferramenta para os casos em que as rotas habituais são demasiado dispendiosas ou lentas, especialmente em condições de sanções e restrições. Para as pequenas e médias empresas, isto pode significar o acesso a mercados onde os bancos tradicionais recusam o serviço ou cobram comissões elevadas.
A inclusão financeira manifesta-se aqui não nas carteiras de retalho, mas na possibilidade de empresas sem um histórico bancário perfeito realizarem operações transfronteiriças. Tal como a água encontra um caminho através das fendas na rocha, o capital procura canais alternativos quando os principais estão bloqueados. Bancos como o Sber, ao incluírem este instrumento, adaptam-se a uma realidade onde a velocidade e a acessibilidade se tornam uma vantagem competitiva.
Em suma, o novo mecanismo altera não apenas a técnica de liquidação, mas também a forma como as empresas avaliam os riscos e planeiam as transações — desde a escolha do parceiro até à cobertura da volatilidade.


