Em 2028, os proprietários de criptomoedas na Alemanha, ao que tudo indica, enfrentarão uma nova regra: um imposto de 25 por cento sobre a valorização dos ativos digitais. Essa medida, que começou a ser discutida em setembro de 2026, parece a continuação lógica de uma longa história — os Estados sempre procuraram tributar aquilo que antes escapava à sua atenção.
Nos últimos anos, a criptomoeda deixou de ser um passatempo marginal de entusiastas. Milhões de alemães mantêm bitcoin e ether como parte da poupança para a aposentadoria ou simplesmente como forma de preservar suas economias em tempos de inflação. O governo, por sua vez, vê nisso uma fonte crescente de receita: segundo estimativas de especialistas, o mercado de ativos digitais no país já é calculado em dezenas de bilhões de euros. A introdução de uma alíquota fixa de 25 por cento não é apenas uma medida fiscal, mas uma tentativa de integrar as criptomoedas ao sistema habitual, no qual cada ganho de capital deve render sua parte aos cofres públicos.
Os interesses aqui se entrelaçam de forma previsível. Os bancos e as instituições financeiras tradicionais há muito fazem lobby por regras iguais para todos: se ações e títulos são tributados, por que as moedas digitais deveriam permanecer na zona cinzenta? O governo ganha uma alavanca adicional de controle — transparência das transações, possibilidade de rastrear grandes movimentações de recursos. Para a pessoa comum, isso significa o fim da era do «comprei e esqueci»: agora cada venda ou troca exigirá prestação de contas e, portanto, planejamento e, possivelmente, consultas a um assessor fiscal.
Imagine um jardim que você mesmo cultivou: os frutos lhe pertencem, mas, quando chega a hora de vender a colheita, o Estado fica com um quarto. Assim é com a criptomoeda — a liberdade de possuir se mantém, mas a liberdade de dispor sem impostos se estreita. Ao mesmo tempo, a alíquota de 25 por cento parece moderada para os padrões europeus, porém é fixa e não depende do tempo de posse, o que a distingue de regimes mais brandos em outros países.
Para quem mantém os ativos por muito tempo, isso pode se tornar um estímulo a uma abordagem mais consciente: não apenas especular, mas integrar as criptomoedas a uma estratégia geral de poupança. Já os que negociam ativamente sentirão pressão sobre a margem. Outro ponto importante — a medida entra em vigor dentro de dois anos, dando tempo para se preparar: transferir os ativos para estruturas mais eficientes do ponto de vista fiscal ou simplesmente recalcular a rentabilidade esperada.
No fim das contas, a Alemanha não está reinventando a roda, mas seguindo a lógica segundo a qual toda riqueza significativa, cedo ou tarde, entra no radar do fisco. A questão é apenas como exatamente construir sua relação com os ativos digitais, para que o imposto não seja uma surpresa, mas uma parte previsível da vida financeira.
