Enquanto os bancos tradicionais continuam a cobrar taxas por cada movimento de fundos e a exigir documentos para as operações mais simples, o Ethereum acaba de comemorar um marco importante: o número de carteiras não vazias ultrapassou os 200 milhões. Isto não é apenas um número de um relatório — são milhões de pessoas que decidiram guardar o seu valor não numa conta bancária, mas no seu próprio cofre digital.
Uma carteira não vazia é um endereço na rede Ethereum que contém pelo menos uma quantia mínima. De acordo com dados de 29 de julho de 2026, o número desses endereços ultrapassou os duzentos milhões. O crescimento acelerou nos últimos anos: as pessoas usam a rede não apenas para especulação, mas também para transferências sem intermediários, participação em finanças descentralizadas e armazenamento de ativos indisponíveis em bancos comuns.
Por trás desta estatística está uma mudança de hábitos. Anteriormente, o dinheiro existia como registos nos servidores de bancos e governos. Agora, cada vez mais pessoas preferem controlar as suas próprias chaves. Isso é especialmente perceptível em países com moeda instável ou acesso limitado a serviços financeiros: uma carteira Ethereum funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem fins de semana e sem aprovação de terceiros.
Os interesses aqui são óbvios. Os bancos lucram com a intermediação e dados de clientes. Desenvolvedores e utilizadores de Ethereum lucram com a transparência e a ausência de censura. A mudança psicológica também é importante: quando uma pessoa gere os seus próprios fundos, a atitude em relação ao risco e ao planeamento muda. Em vez de «dinheiro na conta», surge «os meus ativos sob o meu controlo».
Imagine uma família comum num pequeno país onde a moeda local está a desvalorizar. Em vez de manterem as suas economias num banco que pode congelar a conta, transferem parte dos fundos para um stablecoin no Ethereum. As taxas são mais baixas, as transferências são instantâneas e o acesso está disponível a partir de qualquer lugar do mundo. Isto já não é uma excentricidade, mas uma ferramenta prática para aqueles que estão cansados de depender das regras dos outros.
Claro, o aumento no número de carteiras não significa que todas sejam ativamente usadas todos os dias. Alguns endereços podem pertencer a exchanges ou projetos. No entanto, o próprio facto de ter ultrapassado a marca de 200 milhões indica que as finanças descentralizadas deixaram de ser um nicho e se tornaram uma parte notável do cenário financeiro global.
Quando milhões de pessoas começam a tratar o dinheiro como uma ferramenta que possuem pessoalmente, não é apenas a tecnologia que muda — muda a própria compreensão do que significa «ter dinheiro».

