Em junho de 2026, dois eventos em simultâneo captaram a atenção da comunidade oceânica mundial.
Um deles decorre nas profundezas do Mar do Caribe. O outro tem lugar na costa de África.
Contudo, ambas as histórias remetem para uma verdade simples: o oceano nunca foi dividido por fronteiras. Hoje, a humanidade compreende com maior clareza que é parte de um sistema vivo único, no qual o bem-estar de cada região está ligado ao estado do conjunto.
O Coração do Mar do Caribe
A bordo do navio de investigação REV Ocean, arrancou a expedição Heart of the Caribbean.
Os cientistas partiram para estudar os ecossistemas de águas profundas localizados entre Cuba, o Haiti e a Jamaica — uma das regiões mais vitais e, simultaneamente, menos exploradas do Atlântico.
A expedição reúne uma equipa internacional de especialistas em biologia marinha, oceanografia e ecossistemas de profundidade.
A sua tarefa não consiste apenas na descoberta de novas espécies ou na recolha de dados científicos.
O estudo deve ajudar a criar a base científica para a primeira área marinha protegida multinacional no Oceano Atlântico. Esta constitui uma abordagem fundamentalmente nova.
As correntes de profundidade, as comunidades de corais, as espécies migratórias e as redes alimentares marinhas não conhecem fronteiras nacionais. Elas formam um sistema único, cuja vida depende das ligações entre as diversas regiões.
Por esse motivo, os cientistas defendem cada vez mais a necessidade de proteger ecossistemas na sua integridade, e não apenas áreas isoladas do oceano.
Num certo sentido, a expedição Heart of the Caribbean não está a explorar apenas um espaço marinho.
Ela estuda o coração de um imenso sistema vivo, de cuja saúde depende o bem-estar de milhões de organismos marinhos e de comunidades costeiras.
A Voz de África
Enquanto os cientistas trabalhavam no Mar do Caribe, decorria na costa do Quénia a 11.ª conferência Our Ocean.
Pela primeira vez na história, este fórum internacional realizou-se em solo africano. O tema da conferência era simbólico:
“Our Ocean, Our Heritage, Our Future” — “O Nosso Oceano, o Nosso Património, o Nosso Futuro”.
Representantes de governos, organizações científicas, iniciativas ecológicas e empresas de todo o mundo deslocaram-se a Mombaça. A questão central era simples:
A questão principal da conferência era clara: como transformar o conhecimento sobre o oceano em ações reais, baseadas na compreensão de que o bem-estar humano e a saúde do oceano são partes de um mesmo sistema.
Os resultados da conferência mostraram que este processo já se iniciou.
Após a conclusão do fórum, os participantes anunciaram 320 novos compromissos com um valor total de 6,4 mil milhões de dólares.
Estes abrangem a criação de áreas marinhas protegidas, o apoio à pesca sustentável, o combate à poluição, o desenvolvimento de investigação científica, o reforço da segurança marítima e projetos de "economia azul". O Quénia desempenhou um papel fundamental.
O país apresentou cerca de 42 compromissos, num valor de aproximadamente 1 mil milhão de dólares, incluindo a implementação de monitorização eletrónica em todos os navios de pesca industrial que operam nas suas águas.
O Banco Mundial anunciou também planos para investir 1 mil milhão de dólares nos próximos dois anos, de forma a apoiar os países em desenvolvimento na construção de uma economia oceânica sustentável.
A conferência encerrou com a passagem do testemunho ao Canadá, que acolherá a próxima Our Ocean Conference em 2027.
Um Só Oceano
A expedição científica no Mar do Caribe e a conferência internacional em África parecem ser eventos distintos. No entanto, existe uma ligação profunda entre eles.
É assim que nasce uma nova relação com o oceano — não como um conjunto de territórios isolados, mas como um sistema vivo único que une continentes, culturas e gerações.
O que estes eventos acrescentaram ao pulsar do planeta?
Em junho de 2026, o oceano recordou duas das suas qualidades em simultâneo.
A sua profundidade — através da expedição Heart of the Caribbean.
E a sua capacidade de unir as pessoas — através da conferência Our Ocean.
Temos muitas costas. Mas apenas um oceano.
E talvez, quanto mais profundamente exploramos as suas águas, mais evidente se torna que a integridade não é um objetivo a alcançar, mas a realidade da qual sempre fizemos parte.


