Em outubro, em Madrid, decidir-se-á qual das cinco empresas espanholas receberá o prémio principal do DISRUPTORES Innovation Awards 2026 na categoria "Melhor startup ou scale-up". Disputam o título Legit.Health, Qilimanjaro Quantum Tech, Shakers, Embat e Umoa — projetos onde a inteligência artificial, as tecnologias quânticas e os negócios sociais se cruzam com o capital real dos investidores.
A Legit.Health utiliza visão computacional para identificar, em segundos e através de uma fotografia de telemóvel, mais de 320 doenças dermatológicas e avaliar a sua gravidade. A empresa já celebrou um acordo com o grupo polaco Lux Med e prepara a sua entrada nos mercados europeus. Para os investidores, este é um exemplo de como um software médico com marcação CE se transforma num produto escalável com receitas recorrentes.
A Qilimanjaro Quantum Tech, uma spin-off do Centro de Supercomputação de Barcelona, desenvolve a infraestrutura quântica europeia. A empresa está a liderar uma ronda de aproximadamente 50 milhões de euros para levar a tecnologia além das fronteiras de Espanha. Num mundo onde os EUA e a China dominam a computação quântica, o capital europeu procura um nicho onde seja possível preservar a soberania tecnológica e obter retornos a longo prazo.
A Shakers e a Embat demonstram como o mercado de trabalho maduro e as finanças corporativas se estão a transformar sob a influência da IA. A primeira plataforma utiliza algoritmos para reunir rapidamente equipas de freelancers em tecnologia e marketing; recentemente, captou 14 milhões de euros numa ronda de série A. A segunda — uma fintech de gestão de tesouraria para médias e grandes empresas — fechou uma ronda de 30 milhões de euros liderada pela Cathay Innovation. Ambos os casos ilustram que o capital flui com maior facilidade para onde a IA resolve problemas concretos das empresas, em vez de apenas prometer uma revolução.
A Umoa destaca-se pela sua missão social: 10% dos lucros destinam-se à luta contra o cancro da pele entre pessoas com albinismo em África. A marca de cosmética natural, criada por Mafalda Soto, começou com vendas online e prepara agora a entrada nas farmácias. Aqui, o dinheiro trabalha não só para o lucro, mas também para um impacto social mensurável — um modelo que atrai cada vez mais fundos com capital orientado para ESG.
Estes cinco projetos não são uma seleção aleatória. Refletem para onde fluem hoje os investimentos em Espanha: para a IA aplicada à saúde e às finanças, para as tecnologias quânticas como ativo estratégico e para modelos híbridos onde o comércio se alia ao benefício social. Um júri composto por 15 especialistas independentes escolherá o vencedor a 15 de outubro, mas já é evidente que a atenção do mercado está centrada neste tipo de empresas.
Para o investidor privado ou empreendedor, a lição é simples: não acompanhar promessas sonoras, mas sim observar onde as rondas e parcerias reais confirmam a procura. É precisamente onde a tecnologia resolve um problema mensurável e atrai capital que se forma a próxima vaga de valor.



